quinta-feira, setembro 15

Vestir a camisola

Não sei o que se passa, mas em todas as empresas onde trabalhei chegou sempre o momento do discurso "vestir a camisola". Como é já a terceira vez que oiço o discurso, pensei que esta talvez fosse a altura indicada para tentar perceber o significado desta expressão, mas consegui-lo é (agora sei) uma missão impossível. Isso porque nunca ninguém ousou definir o que é "vestir a camisola" e porque o único equivalente a um "vestir a camisola" é um "gostaria que fosses mais pro-activo". (!!?)
O grande problema desta falta de definição é que assim sendo cada indíviduo se acha no direito (até no dever!!) de atribuir um significado à louca expressão.
Para o meu primeiro patrão "vestir a camisola" era acatar todas as suas ordens sem refilar, ser boazinha, chegar a horas, basicamente ser "uma boa funcionária" e reconhecer a sua omnipotência; No segundo emprego "vestir a camisola" era o mesmo que ser "mais pro-activa" e até hoje não consegui perceber muito bem o que pretendiam de mim.
Na semana passada ouvi novamente a malfadada história da camisola. Desta vez o significado é "crescer com a empresa". Agradou-me. Seria isto que os outros queriam dizer? Se era, não conseguiram fazê-lo. Mesmo assim não há certezas da veracidade deste significado, por isso não se deixem enganar. E se alguém souber da porcaria da camisola é favor deixar um comentário.

2 comentários:

centipedefx disse...

Devo confessar que quando tive o extremo prazer de ler este memorando deixado aqui pela Sara, algo se ergueu do meu subconsciente, como se por acaso na minha mão estivesse um revolver. Não comessem já a pensar em “tristezas”, um revolver, sim um instrumento de calibre, mas não para "matar" (isso fazem os políticos de certos países!), mas sim para "disparar" um grito que embora não seja de revolta pura e explícita (viver é maravilhoso - é preciso é aprender a viver e com 30 anos já há muito que deixei de sentir “revolta” no sentido lato da palavra!) contém na sua origem algo que me poderia levar a relembrar uma música que adoro de uns tais artistas Portugueses, relembrando certas frases que se apresentam como uma forma de manifestação mais ordenada e que se mostra muitas vezes mais eficaz. E para quem não sabe EFECTIVAMENTE eu também já vesti a camisola de algumas empresas por onde passei, mas quanto mais o “confeccionei” mais eu "adoro o campo as árvores e a flores", e quanto mais eu ouvi patrões durante os meus 10 anos de "suave escravização laboral", mais eu adoro "Pássaros estúpidos a esvoaçar" ; "...as pulgas dos cães" ; "Todos os bichos do mato" ; "O riso das crianças dos outros" ; "Cágados de pernas para o ar" etc. Meus amigos para rematar apenas vos digo que essa querida banda com grande sentido de intervenção já com bastantes anos na arte do bem "dizer" continua a ser tão actual nos dias de hoje como antigamente, e efectivamente "... Escuto as conversas, Importantes ou ambíguas, Aparentemente sem moralizar..." e efectivamente "…gosto de aparência, Imponente ou inequívoca, Aparentemente sem moralizar" continuam a ser motes que ainda agora me deixam perplexo de como certas atitudes se expandem, controlam e subjugam o mundo em que outrora era engraçado viver e absorver! Para já não dizer: que há muito que nesta latrina o ar puro e despretensioso deixou de ser irrespirável! Mas como disse atrás e quero referir de novo: Viver é e contínua a ser maravilhoso!

katia comK disse...

Querida Sara:
Sinceramente acho que ninguem quer que realmente vistas a camisola, deves fisicamente vestir uma (convêm, né?), mas essa "camisola da empresa" em Portugal é como centipedefx diz "efectivamente" só um jogo de aparência.
Patrões pedem isso aos funcionários, mas quando toca a eles o que conta apenas é quanto recebem no final do mês.
Querem que, à semelhança de um funcionário sobreexplorado chinês, que vivas e respires o trabalho, que o leves contigo para casa, que dês 200% de ti sempre que lá estiveres, que pendures a fotografia do teu chefe e digas uma oração diária de agradecimento pelo facto de teres um emprego e um patrão tão bom, etc, etc, etc.
Digo isto mas não sou contra o conceito original que implica gosto pelo trabalho, espirito de equipa e responsabilização pelos nossos actos.
O que acontece é que agora usam essa expressão quando querem sugar algo mais de ti.
Esquecem-se é que para poderes vesti-la é preciso que dêm-te 1º, ou seja, neste caso seria condições que te permitam dar o teu melhor, sentir bem no local onde estás e com aquilo que fazes.
Quanto ao modo como os teus empregadores usaram-na parece-me desculpa de mau pagador...
Felizmente podes esquece-los e agradecer a nossa Srª que está ai tão perto.