quinta-feira, dezembro 29

Viva 2006!

Quero desejar um 2006 excelente a todos os visitantes do blog, até mesmo aos que não deixam comentários...
2005 foi um ano um bocadinho rameloso para mim, mas também teve algumas coisas boas. Agora deposito (como muitos outros parolos) as minhas esperanças de vôos mais altos no ano de 2006.
Comecem bem o ano e espreitem os novos links que vos proponho.

FELIZ ANO NOVO!

sexta-feira, dezembro 23

NATAL!



> Pois é. É Natal outra vez. E o pior é que é quase impossível fugir-lhe, por isso só me resta desejar a todos um FELIZ NATAL. Espero que esta festa seja a melhor de sempre. Muitas prendinhas, muitas beijocas, muito Bolo Rei. Tenham paciência com a "famelga" e comam muito, porque o Natal é só uma vez por ano.

quinta-feira, dezembro 8

Pessoa e Espanca

Nas últimas duas semanas celebraram-se (não sei se esta será a melhor palavra) os aniversários das mortes de dois grandes poetas portugueses: Fernando Pessoa (70 anos) e Florbela Espanca (75 anos). No caso de Pessoa, a passagem de 70 anos sobre a seu desaparecimento traz-nos algo muito bom: os direitos da sua publicação deixam de ser exclusivos das Edições Assírio e Alvim. Deixamos de estar sujeitos aos caprichos (e preços) desta editora.

No sentido de relembrar Pessoa e Espanca deixo aqui o primeiro poema que me foi lido (pela minha mãe) da autoria de cada um deles. O primeiro de muitos "momentos" culturais aqui no blog. Apreciem.


O Menino da sua Mãe

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece

Raia-lhe a farda o sangue
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve
Dera-lhe a mãe. Está inteira
É boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo, e bem!"
(Malhas que o Império tece")
Jaz morto, e apodrece,
O menino de sua mãe.

Fernando Pessoa


Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca