quinta-feira, junho 8

Os professores são como os manjericos



A misturada é tal que até parece não fazer sentido, mas se tudo correr bem, no final do texto há-de fazer.
Esta noite no “Prazer dos diabos” um dos assuntos abordados foi a questão das agressões aos professores por parte dos alunos. E isso deixou-me a pensar no tempo em que eu ainda era aluna e nos professores que tive. Acabei por me lembrar de alguns honrados membros da FENPROF e sindicatos do género que não perdiam nada por levar uma ou outra lamparina.
A minha professora de matemática do liceu, que atirava apagadores; um professor que tive já no ensino superior e que gostava de “passar” a mão nas alunas ou a minha professora primaria que uma vez me deu um estalo como resposta à pergunta “Como é que se escreve uretra?”, são bons exemplos da mentalidade portuguesa: “Ah e tal, os professores sofrem muito com o stress e tal, os pais não dão educação aos miúdos... ela estava mesmo a pedi-las...” Ou seja, enquanto as lambadas foram distribuídas pelos “sôtores” tudo bem – nada de reportagens da RTP, mas quando a situação é a oposta, tudo mal.
Não me interpretem mal, eu acho esta situação horrível e incompreensível, mas talvez seja a vez dos professores provarem um pouco do seu próprio remédio.
E os alunos? Não têm stress? Passam doze ou dezassete anos a estudar só para saber preencher a papelada do Centro de Emprego e conseguir interpretar os classificados do Correio da Manhã. Isso não causa ansiedade? Irritação? Alguma raiva, até? E depois estuda-se na escola, no inglês, na informática e, para descontrair, ainda se inscrevem os putos na natação, no tênis e no karaté. Irritados, saturados? Não! É tudo para o bem das criancinhas, para elas não perderem tempo com coisas inapropriadas e fúteis como construir carros de rolamentos ou jogar ao bate pé, ou até mesmo a pensar ou a formar opiniões (Deus nos livre!); a decidir o que irão fazer quando crescerem, quando Portugal for populado apenas por médicos, advogados e bancários e todas as outras profissões forem hobbies destas pessoas que, por sua vez, também serão atletas de alta competição e representarão o país nas modalidades olímpicas ténis e natação; e serão filhos amados de pais orgulhosos da sua influência sobre os pequenos génios condutores de Audis e BMWs.
E fico por aqui, que é para não me pôr a falar da história do dia 6 do 6 de 2006 ser o dia da besta e etc. e tal. Até porque bestas há todos os dias.

Comprei um manjerico. Passei por uma bancada cheia deles e lembrei-me de quando os “cheirava” com as mãos em casa da minha tia e não consegui resistir. Assim como não resistiria a atirar um apagador à Prof. Custódia, caso a oportunidade surgisse de surpresa; juro que esta ânsia não está relacionada com facto dela me ter chumbado logo no 10º ano.

1 comentário:

Anónimo disse...

ler todo o blog, muito bom