terça-feira, outubro 10

Não há novidades. Mas até há.

Sei bem que já lá vão uns tempos, mas a desculpa é a do costume: não há novidades. Mas até há. Passaram-se as férias e não tarda nada é Natal. As férias foram curtas mas boas. Pintamos uma parede da sala, passamos três dias e duas noites em Évora e demos um pulo a Evoramonte, Estremoz, Elvas e Badajoz. Estes dias passaram devagar, provavelmente por só termos visto coisas novas e não termos encontrado caras conhecidas.

Entretanto regressei à realidade, dando-me apenas ao luxo de fazer umas escapadinhas para pensar no João, que passou o mês de Setembro à aventura. O regresso ao trabalho custou bastante, a vontade era pouca e a motivação ainda menos. Quiçá esteja na altura de mudar, outra vez.

Passou o aniversário do meu pai, comemorado com um almoço em família e está para breve outra celebração, um pouco mais solene: A minha irmã vai casar, mas os preparativos para a cerimónia enervaram-na de tal forma que tornaram a festa um pesadelo. Que começo triste!
A organização da festa “obrigou-me” a uma visita a casa. Nunca mais lá tinha regressado “a sério” desde a morte da minha mãe e custou-me imenso. Na altura pareceu-me boa ideia ir de autocarro para Lisboa, mas quando cheguei a Sete Rios e vi a placa a indicar o IPO senti logo um aperto no coração. Estava um espetacular dia de Outono e foi impossível fugir às recordações dos passeios que dei em Lisboa na companhia da minha mãe. Já em casa, não consegui escapar dela ao acariciar a sua vasta colecção de peças Vista Alegre, algumas delas lascadas devido à falta de jeito do meu pai nas limpezas do pó. Depois disso, agradeci por o meu patrão não me ter dado um dia e por poder regressar a casa e poder deixar tudo aquilo no seu lugar – no passado. A Vista Alegre, o gato amarelo velho (que também tem cancro), o meu quarto (que agora já não é um quarto), a imagem da Nossa Senhora, que me entristece sempre um bocadinho por não ter ajudado quem acreditava nela, e tudo o resto.

Os dias vão passando, cada vez mais curtos, tristes e frios. Vai ser assim até ao Natal.

1 comentário:

Salamandra Pintarolas disse...

Sara, fiquei com a lagriminha teimosa no olho...
O passado não se separa de nós mesmo que fujamos dele. Ele está sempre à espera que vamos ao seu encontro e tenho a certeza que as boas coisas perduram e aquecem o nosso coração.
Mas percebo a dor, o impacto e a forma como tudo te trespassa... eu e os meus irmãos perfazemos 3 filhos (a conta que Deus fez), e todos lidamos com essa coisa que é a morte do nosso pai de maneira diferente:
- a minha irmã não fala e faz de conta que o meu pai nunca existiu e assim não sofre - desligou a ficha:
- o meu irmão não fala, mas sofre e agarra-se aos objectos do meu pai como se neles estivesse ainda alguma coisa dele... é a matéria que o consola;
- eu falo e não sofro. penso sempre no que o meu pai me diria quando faço alguma coisa fora da rotina, quando me relaciono com as pessoas... penso muito se ele está contente com a filha que tem. ele nunca morreu. o corpo é que se foi, como o nosso irá também e não há santa que possa evitar o ciclo natural da vida e da morte neste planeta...
Beijo muito grande!
(temos de ir tomar um cafézinho. cá em casa, um dia destes?)