sexta-feira, junho 29

Saiu hoje {=} Out today


Eu era daquelas pessoas que dizia "o telemóvel é só para fazer chamadas, não me venham com tretas". Obviamente estava enganada. {=} I was one of those persons who said "we only use the mobile phone to make calls, cut the crap". Obviously I was wrong.

quinta-feira, junho 28

A Igreja do Castelo

{Igreja de Santa Maria do Castelo, Lourinhã} {foto: Dias dos Reis}

Quando era miúda corria à tua volta. Joguei contigo à apanhada e às escondidas, depois de ir à campa da avó colocar flores frescas dar um beijinho no retrato de uma cara que não me lembro de ver ao vivo. Corria à tua volta porque a mãe me dizia que não era bonito andar a correr pelo cemitério.
Quando estavas aberta refugiava-me dentro de ti e tentava adivinhar que reis e rainhas estariam sepultados por debaixo daquelas pedras enormes gravadas com letras quase irreconhecíveis.

Foi pela tua porta que a mãe e o pai saíram casados. Foi pela tua porta que a Esperança e eu saímos baptizadas. Foi pela tua porta que um dia em Abril saí com asas de anjo e com um vestido roxo comprido que cheirava a naftalina e picava. Foi pela tua porta que a mãe saiu dentro de uma caixa e nunca mais voltou. Por isso já não gosto de ti. Nem de correr no cemitério. Para mim acabou-se o amor pela Igreja do Castelo. Não há beleza, história ou fascínio que me façam esquecer e muito menos perdoar.


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When I was small I ran around you. After placing fresh flowers at grandmother’s grave and kiss the picture of a face that I don’t remember to see alive, I played catch and hide and seek with you. I ran around you because mother said that it wasn’t nice to run in the cemetery. When you were open I took refuge inside you and tried to guess what kings and queens were buried underneath those enormous stones engraved with almost unrecognizable letters.

It was by your door that mother and father left when they got married. It was by your door that Esperança and I left when we were baptized. It was by your door that, one day in April, I left with angel wings and with a long purple and itchy dress that smelled like naphthalene. It was by door that mother left inside a box and never came back. So, I don’t like you anymore. And I don’t like running in the cemetery too. I’m done loving you. There’s no beauty, history or allure that can make me forget much less forgive.

terça-feira, junho 26

Chick-a-dee

Este simpático pássaro é na realidade um detector de fumo que "pia" quando sente perigo. Foi desenhado por Louise van der Veld, a vencedora do concurso "Mooi uit de brand" (Salvos em estilo), organizado pela associação nacional de seguradoras holandesa, que desafiou estudantes de design industrial a melhorar o equipamento de detecção de fumo em casa. Tentados a queimar algo para ouvir o pássaro a cantar?


This likeable bird is a smoke detector that "squeaks" when feels the danger. Designed by Louise van der Veld, the winner of the competition "Mooi uit de brand" (Rescued in style), organised by the national association of Dutch insurers, that challenged industrial design students to design tools that improve fire safety at home. Tempted to burn something so you can hear the bird sing?

sexta-feira, junho 22

Sentir o Verão {=} Feel the Summer

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,

Só tenho que sentir agrado porque é brisa

Ou que sentir desagrado porque é quente,

E de qualquer maneira que eu o sinta,

Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...


Alberto Caeiro

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Agora que chegou o Verão (finalmente o sol brilha como deve ser!) a vontade de estar debaixo de telhado - preso entre paredes e janelas - é pouca, por isso aproveitem o fim-de-semana (e se tiverem um tempinho, espreitem o trabalho fantástico de Banksy).

{girl and bird _ Banksy}


Now that the Summer arrived (finally the sun shines as it should), the will to be underneath a roof - imprisoned between walls and windows - is little, therefore enjoy the weekend (and if you have a little time, take a sneak peek at the fantastic work of Banksy).

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When the Summer passes by my face
The light and hot hand of its breeze,
I only have to feel affability because is breeze
Or to feel unpleasantness because it's hot,
And either way I feel it,
Thus, because that's the way I feel it, it's why is my duty to sense it...

Alberto Caeiro

quarta-feira, junho 20

Young Folks {Peter, Bjorn and John}

Na Velvet andam todos a ouvi-la. {=} At Velvet everyone is listening this song.

segunda-feira, junho 18

Down in the Valley

"When Harlan Carruthers, a charismatic cowboy who seems as if he would be much more at home in Monument Valley than in the San Fernando Valley, has a chance encounter with Tobe, a bored and restless suburban teenager, both of their lives are turned upside down. To Harlan, Tobe embodies all the purity and innocence impossible to find on the means streets of contemporary L.A., while Tobe is drawn to Harlan's poetic charm and romantic spirit. Despite the obvious difference in their ages and backgrounds, and the growing opposition of Tobe's father, Wade, the couple pursues their passionate, furtive romance until it becomes apparent that Tobe is unprepared for the intensity of Harlan's love.
Then, things take a sudden, dangerous turn when Tobe discovers that Harlan is not at all what he appeared to be."

Synopsis from here.

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Sinopse retirada daqui. O filme não estreou nos cinemas portugueses mas está disponível em DVD. Recomendo.

“Como está? – Bem, e você? – Bem.”


Outro fim-de-semana passado (quase despercebido) em Castelo Branco. A viagem mensal é cada vez mais uma obrigação à qual não podemos fugir. A família é minha por afinidade e nunca me faz sentir parte dela. Lá sou sempre visita e há rotinas e horas para tudo.

O facto de eu não gostar da cidade (apesar de ter lá vivido durante cinco anos) não ajuda e a minha pouca dedicação à arte da hipocrisia ajuda ainda menos. O “como está? – Bem, e você? – Bem.” dá-me cabo dos nervos.

Da minha vida de estudante só me fazem falta os amigos e a casa velha na Avenida 1º Maio. Sou a primeira a admitir que a cidade melhorou muito nos últimos sete anos, apesar de ao Domingo continuar sem encontrar uma papelaria decente aberta.

À vinda para cá tivemos a companhia de nuvens em forma de patos e vimos o pôr-do-sol ao som dos Killers, vindo do ipod.

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2 dias = 3 coisas boas:
_ o reencontro de uma boa amiga;
_ a descoberta de um novo café com um ambiente tranquilo e empregados simpáticos;
_ o breve vislumbre de que o H. e o M. podem vir a ser homens bons, cultos e educados, contrariado as probabilidades e as conclusões (precipitadas, admito) tiradas nos últimos anos.

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De regresso a casa, li na Actual que a FNAC pensa abrir em Leiria uma das suas lojas. E com esta (pequena) boa notícia o fim-de-semana acaba bem.

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"How are you? - Fine, and you? - Fine."

Yet another weekend spent (almost disregarded) at Castelo Branco. The monthly trip is becoming an obligation that we can’t avoid. The family is mine by affinity and they never make me feel part of it. There, I’m always a guest and there are routines and hours for everything.

The fact that I don’t like the city (although I have lived there five years) doesn’t help and my lack of dedication to the art of hypocrisy helps even less. The "How are you? - Fine, and you? - Fine." annoys me.

From my student life I only miss the friends and my old house at Avenida 1º de Maio. I’m the first to admit that the city has improved a lot in the last seven years, although is still impossible to find a decent stationery store open on Sundays.

Returning home, we had the company of duck-a-like clouds and we watched the sunset to the sound of The Killers, coming from the ipod.

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2 days = 3 good things:
_ seeing a good friend;
_ the discovery of a new coffee with a quiet environment and likable employees;
_ the brief glimpse of H. and M. like good, cultured and educated men, the opposite of the probabilities and conclusions (precipitated, I admit) taken in the last years.

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At home, I read in Actual {a weekly magazine} that FNAC {+} is going to open one of its stores at Leiria. And with this (small) good news the weekend ends well.


{+} "The largest French retailer of cultural and consumer electronic products: books, CDs and DVDs, computer software and hardware, television sets, cameras, video-games, etc. The company offers a wide selection and higher-end consumer products positioning themselves above the discount retailers of such goods."

in Wikipedia

Duo da Semana {=} Weekly Duo

quarta-feira, junho 13

St.º António na Velvet

{Tivemos todos direito a um manjerico e a uma quadra.}


{A Sara gosta de bonecas
A Sara gosta de as coleccionar
Não fosse ela dormir umas sonecas
Não parava de as pedinchar}

Foi a que me calhou. Escrita pela Cátia. Podem ver as restantes aqui. :)

De Manhã {=} In The Morning

{Ele} _ Qual é a primeira coisa em que pensas quando acordas?
{Eu} _ Não sei...
{Ele} _ Eu penso sempre "hoje tenho que me deitar mais cedo".
{Eu} _ Ah?! A sério?
{Ele} _ Sim. E tu?
{Eu} _ Acho que penso sempre "que dia é hoje?"...


} ---------- translation ---------- {


{Him} _ Which is the first thing that you think when you wake up?
{I} _ I don't know...
{Him} _ I always think "today I have to go to bed earlier".
{I} _ Ah! Seriously ?
{Him} _ Yes. And you?
{I} _ I always think "what's the day today?"...

terça-feira, junho 12

Os Viajantes

{Fotos: João Lourenço _ Tamarugo}

Desde que vi o teu auto-retrato no Tamarugo _ Rádio Velocipédica que não consigo parar de pensar em ti e nas tuas viagens. Posso dizer com certeza que há anos que não te via com um ar de felicidade sincera. A felicidade que vem de dentro para fora e que dura mais do que um momento, que dura quase tanto como aquelas pilhas do coelhinho. De todas as casinhas, lojas e paisagens várias retratadas na companhia da bicicleta, foi aquela foto tua com olhos de criança em véspera de Natal que me ficou na memória.

Encontramos-te sempre entre viagens (umas vezes ansioso por partir, outras saudoso do que ficou para trás), por isso nada me soube melhor do que ver-te (até mais do que ler-te, para ser sincera) no sítio onde realmente queres estar. E por não me querer esquecer do verdadeiro João, por assim me ser mais fácil conviver com a tua falta de tagarelice e suportar o tempo que passa despercebido entre os nossos reencontros, fica aqui o registro desta memória. A memória do João que quando não está por perto é sempre João Lourenço, como se fosses duas pessoas diferentes.

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O Pedro também nunca foi Pedro, foi sempre Sub, porque quando entrou para o ensino superior ainda não tinha 18 anos. Depois do Erasmus, trocou a pátria pelo amor e ninguém pode dizer que foi um mau negócio.

Foi ele quem me ensinou que as pessoas não têm dono. Durante cinco anos foi a minha casa, a minha família e um remédio instantâneo contra a solidão e haviam sempre coisas importantes por dizer, mais não fosse “e hoje, fazes uma alheira para o jantar?

{Acreditas que ainda temos o teu presente de casamento aqui em casa, empacotado, na sala, à vista, pronto há meses para seguir pelo correio?}


Duo da Semana {=} Weekly Duo

{Paper Cloud _ Art to Share}

{Bookhou Design _ Modern Handmade Art and Design}

sexta-feira, junho 8

Fim-de-semana {=} Weekend

Estou pronta! {=} I'm ready!

terça-feira, junho 5

Hoje

fui apanhada pelo sono. Já ontem fui perseguida {acho que é a combinação calor/barriguinha cheia}, qual actriz em filme de terror: eu a fugir, a correr aflita, a fechar portas e a deitar cadeiras e mesas ao chão para ele tropeçar e cair - mas mesmo a andar vagarosamente com sapatos de chumbo e a pisar ovos, o sono leva sempre a melhor.


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Today


sleepiness caught me. Yesterday I was also pursued (I blame the combination warmth/full belly), like an actress in a horror film: I run away, anxious, closing doors and lying down chairs and tables so it stumbles and falls - but even walking slowly with lead shoes and stepping on eggs, sleepiness always leads the way.

segunda-feira, junho 4

Duo da Semana {=} Weekly Duo


Viva España!


Agora, ao ver as fotografias parece que a viagem já foi há muito tempo. Estávamos tão ansiosos por partir que parecíamos crianças crescidas: A Keffa esqueceu-se de parte do farnel em casa e teve que voltar atrás e nós andávamos como baratas tontas a contar o tempo e a cirandar pela casa.

A viagem correu muito bem em todos os sentidos: como levámos comida já preparada poupamos em euros e ganhamos em convívio. Rimos muito, fizémos parvoíces e falámos de coisas sérias.

Em Alpalhão e Castelo de Vide relembrámos a hospitalidade e a beleza do Alentejo; em Malpartida de Cáceres, já em terras de nuestros hermanos, fomos bem recebidos e encaminhados para o Museu Vostell por um velhote muito atencioso que ficou bastante surpreendido por sermos portugueses.

A estrada nacional 521, que liga Portugal a Cáceres, cortava uma paisagem em tons de amarelo sarapintada vacas, ovelhas, cegonhas e uma ou outra casita aqui ou ali. Sempre em linha recta, tornou-se tão repetitiva que parecia afastar em vez de aproximar o nosso destino.

{Vista de Castelo de Vide e a estrada que liga esta localidade a Marvão}

Finalmente chegámos ao Museu, onde (re)vimos várias peças da colecção de Wolf Vostell, “descubridor de la técnica del Dé-coll/age, padre del Happening en Europa e iniciador del movimiento Fluxus y del videoarte, (...) mantuvo siempre en toda su producción artística una marcada originalidad, peculiaridad esta que también es propia del museo” e visitámos o monumento natural Los Barruecos – um conjunto de enormes rochas graníticas, fauna (cegonhas, muitas cegonhas) e flora onde está inserida uma represa de água doce. No meu caso particular, gostei tanto que caí para o lado, literalmente. O resultado é um joelho dorido e negro.


{Los Barruecos}

A dimensão de Cáceres foi inesperada, da última visita recordava apenas a zona história e fui apanhada de surpresa por uma cidade cheia de prédios de dez ou quinze andares, avenidas enormes e muito trânsito. Cruzámo-nos com espanholas de todas as idades, vaidosas, sempre arranjadas. O calor tinha trazido à rua as mini-saias e as sandálias de Verão.

O hotel Don José (na zona história) à primeira vista não parecia nada de especial, mas os quartos tinham asseos e estavam limpos. O melhor foi a apresentação de um terraço com vista para a Praça Central onde jantámos e nos tornámos vizinhos de um grupo de cegonhas a viver no telhado de uma igreja. A conversa fluiu noite dentro ajudada por uma garrafa de tinto do Douro (aberta pelo simpático senhor da recepção que quando o provou disse que era mui rico).


{As vizinhas cegonhas}

{Centro histórico ao fim da tarde _ Cáceres}

No Domingo comemos tostadas com manteiga e marmelada ao pequeno-almoço e imaginamos como seria viver em Espanha. Depois de um passeio pela zona histórica, almoçámos num restaurante italiano por onde havíamos passado na noite anterior. A senhora que nos serviu não era muito simpática, mas a comida estava boa o suficiente para justificar a espera de meia-hora até o restaurante abrir. Agradou-me a agitação da cidade e a maneira como os espanhóis falam muito alto. Talvez seja da siesta o constante bom humor e burburinho na rua. Fiquei também fascinada pelos marcos dos Correios, amarelos e grandes tentavam-nos a enviar cartas e postais de qualquer género.


{Os aventureiros}

{O fim do pequeno-almoço}



{Zona histórica _ Cáceres}

À vinda para cá dormitei na recta sem fim que separa/une os dois países e tirei algumas fotos. Vínhamos mais calados, a antever a chegada de mais uma semana de trabalho ou talvez apenas cansados.

A grande estrela da viagem foi o Hyundai Matrix da Keffa, económico, muito confortável e espaçoso, é o principal candidato a meio de transporte em aventuras futuras.


{O regresso a Portugal}

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Na próxima viagem não esquecer:
1. (Keffa) A quiche sabe melhor sólida que líquida;
2. (Sara) Tira-nódoas e bengala, não é finess passear por Espanha com manchas de relva nos joelhos;
3. (Paulo) Usar protector solar;
4. (Paulo e Keffa) Mini curso de espanhol, ou pelo menos tentar imitar o sotaque;
5. Quando levamos vinho levar também o saca-rolhas, torna tudo mais simples;
6. Comprar malas com rodinhas.


{A última refeição servida a bordo do surpreendente Matrix}

{Updated: 4 Junho}