terça-feira, junho 12

Os Viajantes

{Fotos: João Lourenço _ Tamarugo}

Desde que vi o teu auto-retrato no Tamarugo _ Rádio Velocipédica que não consigo parar de pensar em ti e nas tuas viagens. Posso dizer com certeza que há anos que não te via com um ar de felicidade sincera. A felicidade que vem de dentro para fora e que dura mais do que um momento, que dura quase tanto como aquelas pilhas do coelhinho. De todas as casinhas, lojas e paisagens várias retratadas na companhia da bicicleta, foi aquela foto tua com olhos de criança em véspera de Natal que me ficou na memória.

Encontramos-te sempre entre viagens (umas vezes ansioso por partir, outras saudoso do que ficou para trás), por isso nada me soube melhor do que ver-te (até mais do que ler-te, para ser sincera) no sítio onde realmente queres estar. E por não me querer esquecer do verdadeiro João, por assim me ser mais fácil conviver com a tua falta de tagarelice e suportar o tempo que passa despercebido entre os nossos reencontros, fica aqui o registro desta memória. A memória do João que quando não está por perto é sempre João Lourenço, como se fosses duas pessoas diferentes.

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O Pedro também nunca foi Pedro, foi sempre Sub, porque quando entrou para o ensino superior ainda não tinha 18 anos. Depois do Erasmus, trocou a pátria pelo amor e ninguém pode dizer que foi um mau negócio.

Foi ele quem me ensinou que as pessoas não têm dono. Durante cinco anos foi a minha casa, a minha família e um remédio instantâneo contra a solidão e haviam sempre coisas importantes por dizer, mais não fosse “e hoje, fazes uma alheira para o jantar?

{Acreditas que ainda temos o teu presente de casamento aqui em casa, empacotado, na sala, à vista, pronto há meses para seguir pelo correio?}


3 comentários:

Salamandra Pintarolas disse...

As presenças ausentes também as sinto em quem trocou Portugal por outras terras mais longínquas... São os nossos e queridos emigrantes da nova vaga, em quase tudo diferentes dos da geração dos nossos pais e avós, mas iguais naquele sentido de não pertença completa - nem cá, nem lá.

Anónimo disse...

Pois é tenho que ir aí buscar essa encomenda, talvez daqui a um par de samanas... ;) SUB

Anónimo disse...

Hey!
Thanks a lot pela dedicatoria.
Pois, o brilho dos olhos nem sempre e constante e por ai tambem falta nas palavras escritas.
Mas a progressao faz-se a bom ritmo e tudo acaba por ser materia que nos pode enriquecer.
Acabo de chegar a Sofia, Bulgaria.
Ja encontro placas que referem Istambul e, sobretudo, camioes turcos que tentam levar de "souvenir" toda a parte esquerda do meu corpo.
Um beijo,
Joao