segunda-feira, junho 4

Viva España!


Agora, ao ver as fotografias parece que a viagem já foi há muito tempo. Estávamos tão ansiosos por partir que parecíamos crianças crescidas: A Keffa esqueceu-se de parte do farnel em casa e teve que voltar atrás e nós andávamos como baratas tontas a contar o tempo e a cirandar pela casa.

A viagem correu muito bem em todos os sentidos: como levámos comida já preparada poupamos em euros e ganhamos em convívio. Rimos muito, fizémos parvoíces e falámos de coisas sérias.

Em Alpalhão e Castelo de Vide relembrámos a hospitalidade e a beleza do Alentejo; em Malpartida de Cáceres, já em terras de nuestros hermanos, fomos bem recebidos e encaminhados para o Museu Vostell por um velhote muito atencioso que ficou bastante surpreendido por sermos portugueses.

A estrada nacional 521, que liga Portugal a Cáceres, cortava uma paisagem em tons de amarelo sarapintada vacas, ovelhas, cegonhas e uma ou outra casita aqui ou ali. Sempre em linha recta, tornou-se tão repetitiva que parecia afastar em vez de aproximar o nosso destino.

{Vista de Castelo de Vide e a estrada que liga esta localidade a Marvão}

Finalmente chegámos ao Museu, onde (re)vimos várias peças da colecção de Wolf Vostell, “descubridor de la técnica del Dé-coll/age, padre del Happening en Europa e iniciador del movimiento Fluxus y del videoarte, (...) mantuvo siempre en toda su producción artística una marcada originalidad, peculiaridad esta que también es propia del museo” e visitámos o monumento natural Los Barruecos – um conjunto de enormes rochas graníticas, fauna (cegonhas, muitas cegonhas) e flora onde está inserida uma represa de água doce. No meu caso particular, gostei tanto que caí para o lado, literalmente. O resultado é um joelho dorido e negro.


{Los Barruecos}

A dimensão de Cáceres foi inesperada, da última visita recordava apenas a zona história e fui apanhada de surpresa por uma cidade cheia de prédios de dez ou quinze andares, avenidas enormes e muito trânsito. Cruzámo-nos com espanholas de todas as idades, vaidosas, sempre arranjadas. O calor tinha trazido à rua as mini-saias e as sandálias de Verão.

O hotel Don José (na zona história) à primeira vista não parecia nada de especial, mas os quartos tinham asseos e estavam limpos. O melhor foi a apresentação de um terraço com vista para a Praça Central onde jantámos e nos tornámos vizinhos de um grupo de cegonhas a viver no telhado de uma igreja. A conversa fluiu noite dentro ajudada por uma garrafa de tinto do Douro (aberta pelo simpático senhor da recepção que quando o provou disse que era mui rico).


{As vizinhas cegonhas}

{Centro histórico ao fim da tarde _ Cáceres}

No Domingo comemos tostadas com manteiga e marmelada ao pequeno-almoço e imaginamos como seria viver em Espanha. Depois de um passeio pela zona histórica, almoçámos num restaurante italiano por onde havíamos passado na noite anterior. A senhora que nos serviu não era muito simpática, mas a comida estava boa o suficiente para justificar a espera de meia-hora até o restaurante abrir. Agradou-me a agitação da cidade e a maneira como os espanhóis falam muito alto. Talvez seja da siesta o constante bom humor e burburinho na rua. Fiquei também fascinada pelos marcos dos Correios, amarelos e grandes tentavam-nos a enviar cartas e postais de qualquer género.


{Os aventureiros}

{O fim do pequeno-almoço}



{Zona histórica _ Cáceres}

À vinda para cá dormitei na recta sem fim que separa/une os dois países e tirei algumas fotos. Vínhamos mais calados, a antever a chegada de mais uma semana de trabalho ou talvez apenas cansados.

A grande estrela da viagem foi o Hyundai Matrix da Keffa, económico, muito confortável e espaçoso, é o principal candidato a meio de transporte em aventuras futuras.


{O regresso a Portugal}

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Na próxima viagem não esquecer:
1. (Keffa) A quiche sabe melhor sólida que líquida;
2. (Sara) Tira-nódoas e bengala, não é finess passear por Espanha com manchas de relva nos joelhos;
3. (Paulo) Usar protector solar;
4. (Paulo e Keffa) Mini curso de espanhol, ou pelo menos tentar imitar o sotaque;
5. Quando levamos vinho levar também o saca-rolhas, torna tudo mais simples;
6. Comprar malas com rodinhas.


{A última refeição servida a bordo do surpreendente Matrix}

{Updated: 4 Junho}

4 comentários:

Salamandra Pintarolas disse...

Que bonitos! Parecem mais novinhos e tudo! Será Cáceres uma espécie de elixir da eterna juventude?!

E que saudades me deu da minha visita à cidade e da bela da esplanada com muito sol, tapas, "cerbessas" e a música do WOMAD!
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Bem vindos de volta!
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Sara disse...

Cáceres é linda e fiquei muito surpreendida por não termos encontrado nenhum português. Assim a viagem ainda soube melhor!!

arponera disse...

yo también juego a imaginar cómo sería vivir en Portugal :-))

Thunderlady disse...

O ano passado fui até Cáceres, achei lindo. Entrámos nomesmo ponto que vocês.

Depois subimos até Salamanca e depois Zamora e entrámos em Portugal por Fermoselle.

Gostei imenso mas custou-me muitoestar longe domeupaís, ainda que tão perto :)