domingo, dezembro 30

O Rapaz-Televisão

Não é mau, nem distraído, é electrónico. Isso não quer dizer que seja mais rápido ou hábil que os outros. Nem menos. Significa que tem olhos que brilham, porque do outro lado são lâmpadas e um cérebro que usa roldanas e rodas-dentadas e que por isso pensa melhor que os outros. O coração dele é um mecanismo como as caixas de música antigas, mas sem a bailarina. E só toca ás vezes. E às vezes toca demais e para o parar temos que o desligar, mas nunca na ficha, só no botão.

O rapaz-televisão passa muito tempo em stand-by - há muitas coisas que não interessam - é só uma luz lá ao fundo, mas está lá. Com coisas guardadas por dentro que não lembram a ninguém. Uma vida inteira de coisas. Às vezes duas.

ao Paulo

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