segunda-feira, janeiro 28

Um dia de quando em vez

Tia Sara, o que é morrer?

A pergunta foi-me feita no Sábado, num ambiente improvável e num tom sério, que se escapou entre corridas, saltos e gargalhadas verdadeiras.
O irmão parecia menos preocupado com o assunto, apesar de ter a mesma idade.

Não sou mãe, e o H. e o M. são as únicas crianças da minha família. Sobrinhos por afinidade, partilhamos o Paulo, irmão do Pai Rui (como se tivessem outro...). Vejo-os crescer uma vez por mês e não esperava a pergunta. Conto sempre com as múltiplas idas à casa-de-banho, as brincadeiras com a água, a falta de vontade de fazer a sesta, as birras e a tagarelice sem sentido - tudo a dobrar, é assim com gémeos - mas não contava com esta pergunta. Nem tinha resposta. Tentei fugir aos clichés, pensei no que a minha mãe diria e fiquei encalhada.

Acabei por satisfazer a curiosidade ao H., sem mentir nem entrar em muitos pormenores. Informação que depois passei à mãe, para que ela soubesse como enquadrar as perguntas que ainda virão.

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Nem eu sei o que é morrer, mas ouvi uma vez num filme que se ninguém souber que morremos é como se vivêssemos para sempre.

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à Cátia

1 comentário:

Salamandra Pintarolas disse...

...quando na verdade, é a única coisa que sabemos ao certo e a última que experimentamos...

(Amanhã desaparece para sempre o último de uma geração.)