quinta-feira, fevereiro 28

À descarada

{ilustração: Carrilho Pereira}

É com muito orgulho (e mesmo à cara podre!) que comunico que o novo site do designer-ele já está on-line e quase-quase pronto. Visitem-no aqui! Sei que sou tendenciosa, mas há por lá umas ilustrações deliciosas (ou como costumo dizer: muito nices)!

Só mais cinco minutos

Foram mais vinte. De manhã é ele que me arranca da cama. Esqueci o banho, lavei a cara e os dentes, vesti o que estava à mão e não consegui pentear o cabelo. Ando com estas calças há quatro dias. Estranhamente sinto-me bem, esta não parece ter sido uma manhã que começou às pressas.

A caminho do ponto de encontro com o Filipe voavam luvas de plástico e toalhetes azuis de uma forma muito menos poética do que os sacos de plástico. As luvas de plástico não contam estórias, como as de pele ou de lã, são descartáveis e tristes. Vi duas senhoras que andavam como quem tem sapatos apertados ou desconfortáveis, pareciam gatos desajeitados - muito bem vestidas mas sem subtileza nenhuma. Dentro do infantário, delfins, Martins e afins giravam à volta de uma mesa, ensonados e de mãos dadas - não parecia nada divertido, no máximo era repetitivo. Mães desligadas largavam crianças vestidas impecavelmente para uma qualquer cerimónia séria - uma entrevista de emprego? - tudo menos brincar. "Não te sujes", dizem à saída, como quem diz "não brinques, não te divirtas, fica só sentado, quieto. Prova que és o melhor de todos, o mais bonito, o bem-amado por seres quase crescido aos três anos, o mais querido por não dar trabalho".

Numa agência de comunicação abrem a porta, a rapariga tinha na cara um relógio que marcava a hora de saída. Será essa a minha expressão quando entro na Velvet? Acho que não. Espero que não. Acho que todos os dias não.

Hoje o trabalho são mesmo bonecos, trago sapatos largos, confortáveis e velhinhos e sinto-me bem, quase normal. Os outros também me parecem quase normais. Foram-no durante pelo menos cinco minutos. Tenho sono e nuvens no cabelo. Hoje estou feliz.

domingo, fevereiro 24

Mr. Todd & Mrs. Lovett

Vale a pena conhecê-los através dos olhos de Tim Burton.
{=} Meet them by the eyes of Tim Burton is worthwhile.

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www.sweeneytoddmovie.com

sexta-feira, fevereiro 22

Sexta-feira à tarde na Velvet

{As costas do Flip. Não dá para ver, mas o cabelo dele está muito nice!}

O Flip esteve bem-disposto (coisa rara, ultimamente. Deve ter batido com a cabeça...), foi o Dj oficial da tarde e presenteou todos os Velvetianos com um sticker personalizado. O meu foi de encomenda e é um gatinho mau.

{O sticker mai'lindo e consequentemente a dona do mesmo}

Eu auto-proclamei-me (isto existe?!) dona da copy... ela ainda não sabe, mas agora é só minha. AH! AH! AH! (Para os mais distraídos, isto é o sound effect de uma gargalhada maléfica.) Vai ser minha refém e passar a ferro até inventar 5000 novas palavras, só aí a libertarei!! Um plano genial!

{A refém}

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Faltam precisamente três minutos para a hora de saída. É a minha deixa! Bom fim-de-semana a todos.

terça-feira, fevereiro 19

Uma janela com vista sobre o Mosteiro

{Vista do café onde agora almoço}

Hoje de manhã saí muito cedo,

Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre -
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro

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Hoje o vento levou-me longe demais. E ninguém me deu a mão.

Mais uma boa razão {=} Another good reason

Para ir ver o Sweeney Todd.
{A imagem é da Esquire espanhola e foi roubada aqui.}

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To watch Sweeney Todd.
{The image is from the cover of the Spanish Esquire and was stolen here.}

segunda-feira, fevereiro 18

Bom começo-de-semana {=} Have a nice week-beginning


{Moloko_Familiar Feeling}


Nadas

{Foto: Dextr}

O homem já é velho, ou está na terceira idade, como se diz agora. Não tem um ar afável, nem agressivo, parece pontual. Todos as manhãs vai à loja de conveniência da bomba da gasolina comprar o jornal. Na quinta-feira levava a braguilha aberta. Um esquecimento fruto da pressa ou da idade. Acredito que fosse só isso. Um rapaz novo também reparou e riu-se, uma senhora num Mercedes abanou a cabeça indignada. Já dentro da loja, não sei se mais alguém reparou, mas estou certa que ninguém disse nada, porque à saída o fecho ainda vinha por correr. Assombrada pelas coisas que me contavam na infância, também eu não disse nada. Arrependi-me. É incrível como algo tão simples como um fecho rouba a dignidade a alguém.

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Há catorze anos a minha irmã fez uma asneira qualquer. O castigo imposto foi levar-me com ela para todo o lado. Saí à noite com ela pela primeira vez. Enquanto puxava de um cigarro disse-me com um ar muito solene: "Está na altura de aprenderes que há certas coisas que não se contam ao pai e à mãe." Acenei que sim. E fomos de carro para não sei onde com a Lena e um rapaz mais velho que se chamava Hugo. Eu tinha treze anos, ela dezasseis. Acho que foi por isso que nunca fomos amigas, só irmãs.

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No café uma senhora escrevia com letras pequenas e bem desenhadas numa pequena agenda. A sua expressão era tranquila e a pose - muito direita sentada na cadeira - era rígida, ensinamento de outra época. Parecia prosa. Era prosa azul. Letras azuis e pequenas muito bem alinhadas nas linhas apertadas. Fartei-me de espreitar, mas não consegui ler nada. Fiquei convencida de que seriam as suas memórias, ou a história de um amor secreto ou os ingredientes para se viver feliz para sempre. A azul.

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O dia 18 foi o nono dia no hospital e a visita já era rotina, ela já não abria os olhos. Era sexta-feira. Eu tinha chegado a casa na terça de manhã. Vim a pé da estação. Quando meti a chave na porta o meu pai ouviu e abriu-a, como se não fosse nada sorri e disse-lhe "Já cá estou.". Estava mesmo convencida de que não era nada. E foi. O maior nada da minha vida. A minha tia ligou a confirmar no domingo ao fim da tarde.

quinta-feira, fevereiro 14

Feliz dia do cliché {=} Happy cliché day

{Robert Doisneau _ Kiss by the Hotel de Ville _ 1950}

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* O meu não está a ser nada mau e ainda promete.
{=} Mine is going well and promises even more good things.

quarta-feira, fevereiro 13

Porque sim


Porque me apetece e o blog é meu. Hoje está a ser um daqueles dias em que sou salva (não pelo gongo) pelo itunes. Sinto-me irritada, cansada e farta, com vontade de ir para casa. Ando com o desejo que as coisas voltem ao que eram, que as pessoas voltem ao que eram.
O Rui regressou da Alemanha com chocolate suíço que não posso comer, será disso?

Estou cheia de palavrões e detesto.

segunda-feira, fevereiro 11

Um homem no fim da linha

{Foto: Tim Hetherington}

“Esta imagem mostra um homem exausto. E uma nação exausta”. Foi assim que o júri classificou esta fotografia do fotógrafo britânico Tim Hetherington, que lhe valeu o primeiro prémio World Press Photo 2008. O trabalho, para a Vanity Fair, no Afeganistão, mostra este soldado norte-americano num bunker em Korengal. Gary Knight, presidente do júri, diz que se trata de uma imagem de "um homem no fim da linha". “Estamos todos ligados a esta imagem.”

in Público On-line

sexta-feira, fevereiro 8

E a vencedora é...

Eu! :D

Descubram mais aqui!

quinta-feira, fevereiro 7

Imaginação limitada {=} Limited imagination

Vi o filme e agora ando a ler o livro.
Estou um pouco decepcionada com a tradução para português e acho que vou investir na compra da versão original. No entanto, descobri que a Briony afinal é morena e que não consigo dissociar o James McAvoy do Robbie Turner.

{James McAvoy _ Robbie Turner}


I saw the movie and now I'm reading the book.
I'm a bit disappointed with the Portuguese translation and I'm thinking about buying the English (original) version. However, I've found that Briony isn't blond and that I can't dissociate James McAvoy from Robbie Turner.

quarta-feira, fevereiro 6

Preguiça à hora de almoço {=} Lunchtime lazyness

Focinho amarelo, de papo para o ar a apanhar sol na carpete da sala. Vida difícil!
{Foto enviada via MMS pelo companheiro de siesta.}

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Yellow nose, tummy up, sunbathing on the living room carpet. It's a hard life!
{Photo sent by the siesta partner.}

É Carnaval, ninguém leva a mal

A semana custou a começar. Na segunda parecia sexta e hoje parece segunda. Custa a arrancar, é um principio a fingir. As coisas andam devagar. Parece que está tudo na mesma.

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This week started slowly. Monday seemed like Friday and today feels like Monday. It's hard to start, it's a fake beginning. Things move slowly. Everything looks the same.


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O fim-de-semana foi passado em Lisboa. Fizémos-de-conta que éramos turistas e só vimos as coisas boas. Dormimos numa pensão no Bairro Alto, jantámos no indiano na Rua do Norte, descemos aos Restauradores no Elevador da Glória, tirámos fotos nas máquinas do metro e andámos a ver montras à chuva. Lavámos a vista e a alma.

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The weekend was passed in Lisbon. We pretend that we were tourists and only looked at the good things. Slept in a hostel at
Bairro Alto, had Indian food for dinner, went down to Restauradores on the Glória Funicular, took photos on the subway machines and walked on the rain. Washed up our eyes and our soul.