segunda-feira, março 31

Til The End Of Time


{Boa música + Bom filme = Boa semana!} 

{Good music + Good movie = Good week!}

Segunda-feira (outra vez)

Como quem anuncia o começo de mais uma semana, o autocolante da Coca-cola Zero olhava para mim fixamente. Lá dentro cirandavam um homem e uma mulher, ele limpava os vidros, ela transportava uma saca de papos-secos. O autocolante na porta continuava estava fixado em mim, zombador, zunia: "Espero por ti no trabalho e não te atrevas a fugir! Sei onde compras as maçãs Royal Gala!


Comprei as maçãs e segui caminho a cantarolar uma canção na cabeça; a fugir à segunda-feira por mais uns minutos.

sábado, março 29

Amigonstro

{Fotos: Amigonstro}

Fecha hoje a loja em Leiria, onde tudo começou, mas continua de portas abertas aqui. Boa sorte!

sexta-feira, março 28

Olhos Vazados

{Auto-Retrato _ Robert Doisneau _ 1947}

Estranho a expressão "olhos vazados". De que é que os olhos estão cheios para que de repente sejam vazados? Não sei se esta é uma variação do conceito de olhos como janelas da alma. Será que os olhos dos cegos são vazios?

E as minhas janelas verdes míopes, guardarão menos coisas que as janelas dos outros, ou só desfocam as memórias? Será que só conseguem ver bem ao perto, naquele instante, e depois distorcem o que guardam? Estarão os meus olhos vazados ou enganados? Não me agrada a ideia de não saber se estou meio-cheia ou meio-vazia de memórias vagas ou inventadas. Não gosto de não saber o meu ponto de situação.

quinta-feira, março 27

Macaquinhos no Sótão

Com música de fundo fica tudo mais bonito. Mais cinematográfico.
Hoje de manhã vi os piquetes do SMAS a desentupir um cano com os Air a tocar no fundo e pareceu-me muito poético. Quase como se aquele fosse um esgoto do mundo que, após uma intervenção mágica, ficou desentupido e limpo de todos os detritos que transbordavam. A música cria estas miragens. Dá um cenário a tudo.

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Ainda a caminho do ponto de encontro com a boleia habitual, senti-me perseguida pelo trabalho: Na estrada passam Nissans, Mitsubishis e Hyundais, nos mupis há ursos polares cuspidores de fogo, pela janela do mini-mercado espreita um frigorífico da Fanta, à minha frente segue um miúdo com uma t-shirt da Coca-Cola. Penso em roupa e acessórios, sem querer, leio e analiso restos de cartazes meio rasgados, tento descobrir quem é o homem de fato escuro que entra na agência concorrente que fica a caminho... não consigo desligar. Preciso de férias. Preciso do vazio das férias para ter ideias novas, para fugir aos clichés e às cores brilhantes. Preciso de férias para arrumar armários e pôr a leitura em dia. Preciso de férias para ouvir música sem imaginar coisas. Preciso de férias para organizar a gaveta do coração e os roupeiros da cabeça.

terça-feira, março 25

Páscoa

Corri para comprar folares e amêndoas Jubileu.
Lavei roupa e fiz as malas.
Como sempre, a meio do caminho adormeci.

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Andei no AX e senti-me em casa.
O Paulo ia ao volante e eu estava sentada cá atrás. Lá fora passavam prédios, árvores e passeios enquanto eu era embalada pelos solavancos do velhote de quatro rodas.

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Estive com a família, mas mais com os miúdos. Eles fazem perguntas simples e são sinceros nos intervalos da preocupação com as nódoas na camisola. Andámos de mãos dadas a ver montras e a dar passou-bens a polícias. Antes do jantar dei-lhes banho, vesti-os com a roupa para sair ("a mãe gosta da camisa dentro das calças"), penteei-os e eles puseram creme gordo na cara. Quando chegámos a casa ajudei a lavar os dentes e a vestir os pijamas. No outro dia ao almoço o H. deu-me um abraço demorado e quente como não recebia há anos.

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Domingo vesti uma blusa nova, mas estava frio. O Paulo almoçou connosco, mas não estava lá. Passeámos na praia, mas estava muita gente. Comi amêndoas, mas fiquei mal-disposta.

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Ontem peguei ao colo num recém-nascido e senti-me pequena e fraca perante aquela pessoa que ainda pode crescer para ser quem quiser.

terça-feira, março 18

Exactamente

às duas da manhã encontrámo-nos na cozinha. Comi duas bolachas de aveia da Nacional, ela petiscou a ração. Miou e chamou-me para a cama. Ele já dormia há muito. Adormeci com um gosto familiar na boca e um gato a ronrronar na barriga. Por momentos, voltei a casa. A essa casa que agora me persegue mais do que nunca.


segunda-feira, março 17

Como disse?

Gosta da realidade crua? Então tome lá, que é para não ser parva! Engula lá o sapo sem queixumes, molhos ou tinto do Douro para empurrar. Se calhar tem é mais olhos que barriga...

Estado de direito

Pouco dormi. A pensar nos meus direitos. No meu direito à memória. No meu direito ao amor incondicional. No meu direito ao meu sangue, às minhas tradições de família. No meu direito à história e aos bens dos meus avós. No meu direito a ter mãe.

Pouco dormi. A pensar nos direitos dele. No direito ao futuro. No direito de voltar a ser amado. No direito de ser feliz, de criar novas memórias. No direito de continuar a sua história sem ser assombrado. No direito dele voltar a ser um de dois.

(E a minha mãe? O que diria?)

sábado, março 15

H&M





{São teimosos, irrequietos e dão trabalho a dobrar} {São miúdos} {São brincalhões, engraçados e carinhosos} {São os meus miúdos}

sexta-feira, março 14

To Build a Home {=} Construir uma casa


{Cinematic Orchestra}

There is a house built out of stone

{Existe uma casa feita de pedra}
Wooden floors, walls and window sills

{Soalhos de madeira, paredes e parapeitos de janela}
Tables and chairs worn by all of the dust
{Mesas e cadeiras usadas pelo pó}

This is a place where I don't feel alone

{Este é um lugar onde não me sinto só}
This is a place that I call my home


{Este é um lugar a que chamo casa}

And I built a home

{E eu construí uma casa}
For you
{Para ti}
For me

{Para mim}
Until it disappeared

{Até que desapareceu}
From me

{De mim}
From you

{De ti}
And now, it's time
{Agora, está na altura}
To live

{De viver}
And time

{E na altura}
To die


{De morrer}

I'm in the garden where we planted the seeds

{Estou no jardim onde plantámos as sementes}
There is a tree as old as me

{Há uma árvore tão velha como eu}
Branches were sewn by the colour of green
{Ramos cosidos pela cor do verde}

Ground had arose in past its knees
{No passado o chão estava pelos seus joelhos}


By the cracks of the skin
{Pelas fendas da pele}
I climbed to the top

{Trepei até ao topo}
I climbed the tree to see the world

{Trepei a árvore para ver o mundo}
When the gusts came around to blow me down

{Quando as tempestades vieram para me deitar abeixo}
Held on as tightly as you held on me
{Segurei-me com a força com que tu me seguraste a mim}

Held on as tightly as you held on me


{Segurei-me com a força com que tu me seguraste a mim}

And I built a home

{E eu construí uma casa}
For you
{Para ti}
For me

{Para mim}
Until it disappeared

{Até que desapareceu}
From me

{De mim}
From you

{De ti}
And now, it's time
{Agora, está na altura}
To live

{De viver}
And time

{E na altura}
To die


{De morrer}

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Today morning, when I heard this song, I was caught by a gust. {=}
Quando ouvi está música hoje de manhã fui apanhada por uma tempestade.
Have a nice weekend. {=}
Bom fim-de-semana.

quinta-feira, março 13

Crua

A ideia de realidade crua agrada-me. Gosto da palavra cru por sugerir sempre algo que não foi preparado, que está por cozinhar ou por difarçar. Na realidade crua sentimos mais as coisas, porque podemos fingir que aquela é a nossa vida sem nos sentirmos culpados. Podemos ter sexo sem música de fundo e suspirar com força e dar beijos com saliva a mais. Dizer foda-se ou merda sem arrependimentos ou inconveniências.
Gosto de silêncios confortáveis que acontecem realmente e da tranquilidade com que os seus intervenientes os aceitam.
Ultimamente têm-me dado um grande prazer almoçar sozinha, ter tempo para divagar em ideias e sonhos sem nexo, ler e beber café com um pau de canela. Fingir que sou intelectual ou turista. Perder tempo a ver as coisas de todos os dias pela primeira vez. Fingir que eu não sou eu e imaginar outras vidas possíveis para mim. Acabo sempre por regressar ao que sou, a desejar não ter feito isto ou dito aquilo, a desejar ser menos crua.


à Keffa, que escolheu ser crua

terça-feira, março 11

Tenho


Preguiça de trabalhar. Sono. Cores por escolher. Sopa de feijão na barriga. José González nos ouvidos. Telefonemas em atraso. Uma perna cruzada por baixo da outra. A mão esquerda a segurar a cabeça. Café a aguentar os olhos. Preguiça de tudo.

segunda-feira, março 10

A mãe da Rita

já não é anónima. É Maria Augusta.

Pessoas por Ordem {=} People in Order



Uma curta metragem que dá a conhecer 100 pessoas em três minutos, ordenadas pela idade. {=} A short film that presents 100 different persons in three minutes, ordered by their ages.

Visto aqui. {=} Found here.

Sr. Costa - Chefe de Secção


Homem que é homem faz anos no Dia Internacional da Mulher.
Homem que é homem não tem vergonha de ter um bolo de anos com rosas de açúcar e velas em forma de coração.
Homem que é homem deseja um gato de peluche que fala espanhol como prenda de aniversário.
Homem que é homem é Chefe de Secção.
Homem que é homem é tratado pelo apelido.

Parabéns Costa!
Que o teu je ne sais quoi (a certain something, em inglês) continue a enfeitiçar mulheres por muitos e longos anos.

domingo, março 9

Anónimo

A mãe da Rita tornou-se visita habitual deste blog. Ultimamente dou comigo a inventar caras e nomes para ela. E roupa. E livros ou flores favoritas.

Gostava que ela deixasse de ser anónima. Mas depois lembro-me da estranheza de se conhecer alguém, de falar com alguém com quem nunca realmente falámos. De ver alguém que pensamos já ter visto. Em partilhar opiniões com uma desconhecida que me conhece e já não sei bem.

Por outro lado, penso em todas as pessoas que conheço e não me conhecem e não consigo decidir. E fica tudo como está.

Amanhã é segunda-feira outra vez. Vou esperar o Filipe na bomba da Repsol. A Velvet vai estar silenciosa e meio adormecida pela manhã. A Keffa vai chegar de sorriso rasgado e olhos tristes. Vou almoçar na esplanada com vista para o mosteiro, vigiada pelas gárgulas. A tarde vai parecer sem fim. Vou espreitar o Costa pelo canto do olho e sentir-me culpada por ele estar a trabalhar e eu não. Ao fim do dia haverá risota no carro com o Paulo. Adormecerei no sofá, convencida que vou conseguir ver um programa qualquer até ao fim. E depois é terça-feira.

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Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Álvaro de Campos

Manhã de Domingo {=} Sunday Morning

sexta-feira, março 7

Heima {=} Em casa {=} At home



Não sei da minha há três anos. Perdi-a. Perdeu-se. Desapareceu. {=} Don't know were mine is for the last three years. I've lost it. It got lost. It's gone.

quarta-feira, março 5

PANTONE

Alguém sabe qual é o Pantone do desgaste? Do cansaço. Da falta de ideias.
Qual é a impressão da criatividade gasta, usada, lavada a pedra pomes?
O tom das coisas perdidas a bem é diferente do das perdidas a mal?
E a cor da indiferença, vê-se?
E a mancha da maldade, é igual à do politicamente incorrecto?
A saudade é negra ou multicores? Será um amarelo esbatido comido pelo sol?
A amizade é o dourado 871 metallic? Com ou sem bleed?

terça-feira, março 4

Se o mundo estivesse a cair

nós dávamos conta?

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If the world was falling
would we notice?

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Such is the way of the world
You can never know
Just where to put all your faith
And how will it grow

Gonna rise up
Burning black holes in dark memories
Gonna rise up
Turning mistakes into gold

Such is the passage of time
Too fast to fold
Suddenly swallowed by signs
Low and behold

Gonna rise up
Find my direction magnetically
Gonna rise up
Throw down my ace in the hole

{Rise_Eddie Vedder}

segunda-feira, março 3

Do fim-de-semana

e da viagem-relâmpago a Lisboa.



Monday Blues

{Jantar romântico}
{Cinema} *1
{Manhãs solarengas}
{Flores novas}
{Beijos de gato}
{Sestas de gato}
{Cheiro a roupa lavada}
{Escolhas}
{Nomeações para prémios}
{Viagens precipitadas}
{Prémios perdidos}
{Amigos velhos}
{Gargalhadas}
{Amigos novos} *2
{Jantar apressado}
{Fotografias parvas}
{Sono}
{Preguiça}
{Birras}
{Figuras parvas}
{Erros}
{Maçãs}
{Pedidos de desculpa}

Este fim-de-semana houve de tudo.

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{*1}


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{*2}

Rui, foi um prazer conhecer-te. Descobri ainda que a Codex e a Velvet partilham a data de nascimento. Se alguma vez me quiseres contactar deixa um comentário. Até breve!

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{Things I have learned in my life so far}
Para ajudar o começo-de-semana.