domingo, março 9

Anónimo

A mãe da Rita tornou-se visita habitual deste blog. Ultimamente dou comigo a inventar caras e nomes para ela. E roupa. E livros ou flores favoritas.

Gostava que ela deixasse de ser anónima. Mas depois lembro-me da estranheza de se conhecer alguém, de falar com alguém com quem nunca realmente falámos. De ver alguém que pensamos já ter visto. Em partilhar opiniões com uma desconhecida que me conhece e já não sei bem.

Por outro lado, penso em todas as pessoas que conheço e não me conhecem e não consigo decidir. E fica tudo como está.

Amanhã é segunda-feira outra vez. Vou esperar o Filipe na bomba da Repsol. A Velvet vai estar silenciosa e meio adormecida pela manhã. A Keffa vai chegar de sorriso rasgado e olhos tristes. Vou almoçar na esplanada com vista para o mosteiro, vigiada pelas gárgulas. A tarde vai parecer sem fim. Vou espreitar o Costa pelo canto do olho e sentir-me culpada por ele estar a trabalhar e eu não. Ao fim do dia haverá risota no carro com o Paulo. Adormecerei no sofá, convencida que vou conseguir ver um programa qualquer até ao fim. E depois é terça-feira.

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Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Álvaro de Campos

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