quarta-feira, abril 30

Some Things Cost More Than You Realise

{Radiohead_All I Need + MTV Exit}

Regresso a casa

{no elevador}

Depois de um dia de trabalho. Depois de uma hora de ginásio. Depois de vinte minutos a pé (sempre a subir) com duas malas pesadíssimas. Na mão o iPod. No corpo um blusão de pele que era do meu pai, um cachecol feito pela minha mãe e calças de ganga três números acima. O cabelo a precisar de ser cortado.

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Já em casa, fiz festas à gata, jantei torradas e vi "A juventude de Jane Austen". Ele chegou cansado e resingão. Foi dormir. Passei-lhe a mão pela cabeça e pareceu-me pequeno, afundado entre os lençóis. Amanhã de manhã já vai ser um homem outra vez. Primeiro vai calçar as meias; a camisola fica sempre para o fim, mas mesmo assim tem as costas molhadas quando a veste. Vêem-se uma gotinhas a aparecer no algodão. É o começo de um novo dia.

terça-feira, abril 29

Twitter

O Twitter é bom para quem acha que existe magia nas pequenas coisas do quotidiano. É bom para provar a essas pessoas que estão erradas. "E o que é o Twitter?", perguntam os meus ávidos leitores. Bom, caros leitores, o Twitter é basicamente uma página actualizável via internet, telemóvel ou instant menssenger onde podem descrever o vosso dia passo-a-passo. Tudo desde "estou na França e isto é muito lindo" até ao "acabei de ir ao WC e o papel higiénico era áspero para caraças". E pronto. Resta-me dizer que aderi ao Twitter por iniciativa própria, porque não é bonito criticar algo sem o ter experimentado. Quem sabe se ficarei fã? Se quiserem passar pela minha página o link está aqui ao lado.


segunda-feira, abril 28



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A 25 de Abril de 2008 fui à praia. E não pensei muito no 25 de Abril de 1974. Foi a Liberdade que a Revolução me deu. Acima de todas as outras. A de me sentar numa esplanada à beira-mar a beber um panaché enquanto as ondas se enrolam e escolher não pensar em nada.

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Há 34 anos atrás os meus pais, ainda namorados, também foram à praia. O meu pai - operário fabril - fez greve assim que soube do que se passava em Lisboa e foi ao encontro da minha mãe no seu VW amarelo. Já em Peniche, disseram adeus ao meu avô, que lhes acenou timidamente de uma pequena janela do Forte - o Santos era GNR e não sabia de que lado estava - ainda não lhe tinham dito o que devia fazer e, por consequência, pensar.

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Em casa do avô não podia mexer em nada. Ele dava-nos rebuçados Dr. Bayard, falava alto - como um militar - e nunca me atrevi a desobedecer-lhe. Não fui ao funeral dele, mas vi-o no dia que morreu e estava muito amarelo. Sei que em novo era bonito e mulherengo e que é o autor de uma frase curiosa "os filhos das minhas filhas são meus netos, os filhos dos meus filhos não sei".

Quando vou à terra, acontece com frequência perguntarem-me se sou neta do Santos. Pessoas que nunca vi, ou que se já vi, não reconheço. E sinto-me mais neta do Santos do que filha da minha mãe.


terça-feira, abril 22

Juno


{All I Want Is You _ Barry Louis Polisar}

domingo, abril 20

Acordei sozinha na cama por volta das onze e corri para a sala de pés descalços e camisola de algodão. Sem dizer uma palavra, ele aconchegou-se no sofá e eu deitei-me ao lado dele. Abraçou-me e voltámos a adormecer. Podia ser uma cena de um romance piegas, mas não foi.
Amanhã é segunda-feira e não faz mal.

quinta-feira, abril 17

"Um carro cheio é uma alegria"

- disse ela. E é mesmo. Apertados cá a trás tombámos uns para cima dos outros nas curvas - ora à esquerda, ora à direita - rimos com a ideia de camionistas beijoqueiros e falámos de comida. Já de barriga cheia, regressámos à Velvet prontos para mais uma tarde de trabalho - qual família disfuncional que, sem dar por isso, funciona.


quarta-feira, abril 16

Homens-criança

A bicicleta chiava. Tão alto que à medida que se foi aproximando fui deixando de ouvir o canto dos pássaros. Trrchic, trrchic, trrchic. Depois só vi pernas morenas e musculadas. As pernas escuras de alguém de um país quente, de um país em tons de laranja com uma árvore aqui e outra ali, com leões e zebras.
Um pouco mais à frente parou ao lado de alguém. Esse alguém não trazia calções e carregava uma pasta. O segundo homem tomou o lugar no selim e seguiram os dois aos esses na bicicleta barulhenta. Trrchic, trrchic, trrchic. Até os perder de vista. Dois homens-criança, a rir, a caminho do trabalho.


terça-feira, abril 15

Macbeth


Shakespeare Retold 2005, uma produção da BBC que vale a pena ver. A prova que as tragédias de Shakespeare são intemporais.

domingo, abril 13

Manipulação Matinal





{Enquanto ele dormitava no sofá, na televisão passavam desenhos animados. A gata aproveitou para me manipular com miados melosos e festas e eu cedi.}

sexta-feira, abril 11

About Today

{The National}

Today you were far away
and I didn't ask you why
What could I say
I was far away
You just walked away
and I just watched you
What could I say

How close am I to losing you

Tonight you just close your eyes
and I just watch you
slip away

How close am I to losing you

Hey, are you awake
Yeah I'm right here
Well can I ask you about today

How close am I to losing you
How close am I to losing


Já não sou gorda

Foi um taxista que disse, por isso deve ser verdade. 


Um destes dias tive que ir de táxi para o ginásio, no fim da viagem o condutor disse-me: "Dê uma corridinha por causa da chuva (tratam-me sempre como uma adolescente, ainda não decidi se é bom ou mau) e não se preocupe porque não é gorda, não precisa de ir ao ginásio para usar biquini." Dei uma gargalhada. O que mais podia fazer? Certo é que nesse dia os quarenta minutos de exercício pareceram dez.

Tive pena de o senhor não usar bigode, senão esta estória era um clássico.

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{Já em casa, lembrei-me doutra viagem feita neste táxi onde o motorista disse que "os jovens precisam de ligar mais à política e voltar a fazer um 25 de Abril. Nós fizemos o nosso, agora façam o vosso - que nós estamos velhos e o país está uma miséria. Digo-lhe isto porque parece uma rapariga inteligente. Olhe que eu não digo estas coisas a toda a gente. Ainda me chamam comunista..." Outro clássico, portanto. O homem é uma pérola. Engraçadíssimo. 
A viagem era para um centro médico e o sr. perguntou-me se estava doente. Contei-lhe do meu problema renal - que não podia esperar - e do esforço financeiro que me vi forçada a fazer para o resolver. Ele, super-indignado, saiu-se com esta.} 

quarta-feira, abril 9

Orvo

Faz hoje dois dias. Nasceu na terra do Pai Natal.
Um dia vai ser grande sem darmos por isso.

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Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis

terça-feira, abril 8

The Velvet Adventure Continues

{já somos 8 + 1 Big Purple Monster!}

Em primeiro plano está o Ramon (recém-chegado ao planeta Velvet) perito em programação. Para além de Velvetiano, o Ramon também é guitarrista dos The Allstar Project. Podem ouvi-los aqui.

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Novo Cabecilha

{Nuno Costa, aka Funcionário do Mês de Abril}

Perito em olhar para o infinito, Nuno Costa é dotado daquele certain something que ninguém sabe explicar muito bem. Aquando a sua subida ao poder, desfaleceram raparigas casadoiras e homens poderosos espumaram de inveja nos quatro cantos do mundo.

Por estar iminente um desíquilibrio da Terra (só espuma e babes caídas no chão - ca'nojo!), este homem só poderá ficar no poder durante trinta dias. Trinta dias inesquecíveis: a Velvet nunca mais será a mesma.

segunda-feira, abril 7

Weekend-Learning

1. Não há nada como um fim de tarde quente passado em boa companhia numa esplanada.
2. Ir à praia é bom quer chova quer faça sol.
3. Quando ele está mal-humorado é deixar passar.
4. Ainda não é Verão.
5. Se anda de bicicleta à beira-rio mantenha a boca fechada.
6. As segundas-feiras custam sempre.
7. 40m no ginásio curam dores de cabeça (eu sei... nem eu acredito).

quarta-feira, abril 2

Três

Faz hoje. Que nos conhecemos. Que te conheci. Que me tornei uma pessoa melhor por o meu coração ter ficado um bocadinho mais cheio. Ensinaste-me a observar, a ver com olhos de ver, e por sentir que te devo isso esqueço o que não interessa, ou pelo menos tento. Vou vivendo a vida sem remendos. O que se rasga ou cede fica quebrado, caído, para não me deixar desprezar os deslizes que fiz, para me recordar a pessoa que não quero ser.

Que os anos passem, muitos e longos, um dia de quando em vez.

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Ontem cozinhei para três maridos. Lá nos vamos ajudando uns aos outros a trepar as árvores que derrubámos. Cá em baixo, seguro a corda que nos une com força. Seguimos caminho, sem remendos nem pedidos de desculpa.

Saudades

de quem fomos.


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{Margarida Pinto _ Apontamento}


terça-feira, abril 1

19:47

e ainda é de dia. Para que é que isso me serve? Para nada. Nicles batatóides. Ainda estou na Velvet. (Viva La Velvet!) Se espreitar pela esquerda do meu (hoje muito pouco cooperante) iMac vejo a Cátia. As outras vistas são estas:

{o que o iMac vê}

{o que eu vejo - e estou farta! Fartinha!}

Ainda sobre o mesmo

O que me irrita é a minha falta de paciência para tudo o que ainda irá acontecer ao longo do dia - esgotei-a toda só com uma pessoa. E o não poder dizer palavrões e chamar nomes. Chamar nomes ajudava: Seu Joaquim, Ambrósio, Jeremias!!...


Aos leitores que para além de serem meus leitores são bancários

Quando uma pessoa vai ao banco na hora de almoço não quer perder tempo, quer almoçar, daí a hora de almoço ter essa nomenclatura nada subtil. Por isso, se alguma vez uma pessoa se dirigir ao vosso balcão durante a hora de almoço, não percam tempo a explicar à pessoa que isto ou aquilo não se pagava se fosse feito assim ou assado. Façam e digam: "custa x".


Eu agradeço e estou certa que muitas outras pessoas também.

(São 15h32, saí do banco há pouco mais de duas horas e continuo com vontade de atear fogo ao cavalheiro que me atendeu, por isso este post também é no melhor interesse dos bancários, caixas e administrativos - ou como raio se chamam as pessoas que atendem ao balcão.)