segunda-feira, abril 28



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A 25 de Abril de 2008 fui à praia. E não pensei muito no 25 de Abril de 1974. Foi a Liberdade que a Revolução me deu. Acima de todas as outras. A de me sentar numa esplanada à beira-mar a beber um panaché enquanto as ondas se enrolam e escolher não pensar em nada.

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Há 34 anos atrás os meus pais, ainda namorados, também foram à praia. O meu pai - operário fabril - fez greve assim que soube do que se passava em Lisboa e foi ao encontro da minha mãe no seu VW amarelo. Já em Peniche, disseram adeus ao meu avô, que lhes acenou timidamente de uma pequena janela do Forte - o Santos era GNR e não sabia de que lado estava - ainda não lhe tinham dito o que devia fazer e, por consequência, pensar.

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Em casa do avô não podia mexer em nada. Ele dava-nos rebuçados Dr. Bayard, falava alto - como um militar - e nunca me atrevi a desobedecer-lhe. Não fui ao funeral dele, mas vi-o no dia que morreu e estava muito amarelo. Sei que em novo era bonito e mulherengo e que é o autor de uma frase curiosa "os filhos das minhas filhas são meus netos, os filhos dos meus filhos não sei".

Quando vou à terra, acontece com frequência perguntarem-me se sou neta do Santos. Pessoas que nunca vi, ou que se já vi, não reconheço. E sinto-me mais neta do Santos do que filha da minha mãe.


2 comentários:

wednesday disse...

Bela descrição a vários tempos do dia 25 de Abril...

Anónimo disse...

Já passaram tantos anos!!! Eu era tão novinha!!! Mas, parece que foi ontem.

Bj
mimi