terça-feira, julho 29

Tempos das férias


{Castelo Branco}

O mau estado das ruas assemelhava-se à falta de preparação do meu espírito. Três dias foram demais e eu soube-o na véspera do primeiro. O desconforto de ser visita, a roupa nova, o calor, as coisas feitas contra-vontade, os horários a cumprir, tudo apontava para o descarrilamento iminente. Ao terceiro dia tornei-me intragável. Ninguém podia fazer nada. Nem mesmo eu.
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{Sarnadas}

Logo ao bater à porta senti-me mais leve. Ele andava pela casa descalço. Recebeu-nos bem-disposto e cheio de novidades e projectos. Levou-nos a passear; aproveitámos a fresca do final do dia. Troquei um CD por uma lata de petingas em tomate picante. Houve quem pensasse que eu era a Vanessa.
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{Lourinhã}

A casa trouxe-me à memória as reuniões de família. A minha mãe sentada numa cabeceira da mesa e a minha tia na outra, como num matriarcado perfeito. As refeições fartas, sempre terminadas com fruta da época. As meninas sentadas de frente para os pais.

A senhora que recebia do carteiro as cartas que o meu pai escrevia à minha mãe disse-me que visitava a campa dela em primeiro lugar sempre que ia ao cemitério. Para eu saber o quanto elas eram amigas.
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{Praia do Areal}

Nenhuma praia tem o cheiro da praia da nossa infância - aquela onde não faz mal engolir pirolitos. Onde se comem papo-secos com chourição e areia ao lanche e se contam os minutos para ir ao banho.
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{foto topo: Castelo Branco _ por acseven}

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