quinta-feira, setembro 18

Hoje

dou continuidade à revolta e ao mau-estar que me têm trazido fora de mim, pendurada pela sombra.

"Um homem revoltado, mesmo ingloriamente, nunca está completamente vencido. Mas a resignação passiva, a resignação por ensurdecimento progressivo do ser, é o falhar por completo e sem remédio. Mas os revoltados, mesmo aqueles a quem tudo - a luz do candeeiro e a luz da Primavera - dói como uma faca, aqueles que se cortam no ar e nos seus próprios gestos, são a honra da condição humana. Eles são aqueles que não aceitaram a imperfeição. E por isso a sua alma é como um grande deserto sem sombra e sem frescura onde o fogo arde sem se consumir."

Contos Exemplares, Sophia de Mello Breyner Andresen


Sem comentários: