terça-feira, outubro 7

A linha da Azambuja em 1996

Havia um solavanco ritmado e sonoro. Um tchunk-tan-tchunk-tan que se repetia em todas as viagens. Ela dormia embalada por ele, habituada às conversas dos outros e aos carteiristas. Os comboios eram velhos e estavam frequentemente atrasados. No Verão abria-se o ar e as portas seguiam viagem abertas. As pessoas entravam e saíam das carruagens com a máquina em andamento, apressadas, atrasadas, anestesiadas. Algumas fugiam ao pica.
Os comboios dantes eram cinzentos, não enganavam ninguém; na realidade ninguém os conduzia, o maquinista só os mantinha na linha.