quinta-feira, novembro 27

terça-feira, novembro 25

LIFE em imagens

{Joanne Woodward and Paul Newman _ March 1959 _ Gordon Parks}

O Google vai disponibilizar todo o arquivo de imagens da revista LIFE online. São 10 milhões de imagens, 97 por cento nunca publicadas. Descubram-nas aqui.

Música de fundo

O sol e os Killers espantam fantasmas durante o dia.
{Obrigada Flip.}

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"are we human or are we dancer
my sign is vital, my hands are cold
and I'm on my knees looking for the answer
are we human or are we dancer
you've gotta let me know"


Não durmo. Tenho pesadelos sem monstros. Sonho que sou pequena e estou sozinha em casa. Nunca gostei. Está tudo muito limpo e arrumado nos sítios certos. Os móveis de mogno muito brilhantes e a cheirar a óleo de cedro, as bonecas de porcelana sentadas em fila, os elefantes de loiça com a tromba virada para a porta, os edredões com bonecos de um lado e um padrão azul do outro estão milimetricamente esticados e alinhados lado a lado, um na minha cama o outro na cama da Esperança. Brinco com as chávenas de colecção e ninguém ralha. Não está ninguém em casa. A casa vazia é o pesadelo que não me deixa dormir. Escondo-me debaixo do edredão com bonecos de um lado e um padrão azul do outro - agora velho, estampado a cores pastel - chego-me a ele, para sentir a casa com gente.

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Hoje acordei de uma conversa com a minha mãe. Depois de uma zanga com o meu pai, ela dizia-me que havia uma altura em que eu gostava tanto dele que só dormia ao colo dele, depois de ele chegar do turno da noite na fábrica.

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Dou por mim a querer estar vazia de memórias, sem o passado recorrente a prender-me. (É tão desolador não ter pai nem mãe.) Eu queria como estava, era isso.

quinta-feira, novembro 20

Velha do Restelo

Eu não queria a mesa de apoio ao meu lado, a fazer um "L", como ela tão prontamente ilustrou; nem queria ficar sem metade da vista, mas fiquei. E não guardo rancores, mas ainda não me habituei. Agora não vejo ninguém pelas laterais do iMac e sinto-me meio perdida, meio sozinha. Parece-me que o Costa se levanta muitas vezes para beber água - observo-o de perto, já que é o único que se movimenta no meu ângulo de visão. Perdi o outdoor gigante, a mesinha de café ao canto e o IC2. Agora só vejo copas de árvores que não se mexem e não sei se estou contente ou triste, desconfortável ou irrequieta. A estante velha, feia e desarrumada que era do Rui passou para perto da mesa de reuniões e isso enerva-me. (Alguém que arrume aquilo e apanhe a tralha que ficou no chão!) E as coisas ficaram como eu queria, eles frisaram "isto fica como quiseres". Eu queria como estava, era isso.

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{Só o Boneco Amarelo é que me compreende...}

quarta-feira, novembro 19

Outono

- Olha, é Outono!, disse ele com um ar realmente surpreendido.
- Eu já tinha visto. Passei por aqui uma destas manhãs a caminho da casa do Filipe.

(Mais para o fim da caminhada, riu-se enquanto fazia voar as folhas caídas em montinhos perto das bases das árvores.)

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{Sub: No Domingo pensei em ti, esperava encontrar-te on-line. Hyvää syntymäpäivää! Quesefe.}

quinta-feira, novembro 13

Home(less)

"You know that moment in your life when you realise that the house were you’ve grown isn’t really you home anymore? That ideal of home is gone. Maybe that’s all family really is, a group of people who miss the same imaginary place."

Andrew Largeman, Garden State

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{Garden State _ Zach Braff _ 2004}

terça-feira, novembro 11

A festa de anos

Ele encostou-se a uma esquina de onde se podia ver toda a cozinha: sobre a mesa empadas, rissóis e enchidos assados cortados às rodelas esperavam ser mordidos, mastigados e engolidos sofregamente. Também havia pão, presunto e batatas fritas onduladas. Dois miúdos - os únicos - corriam da cozinha para a sala e da sala para a cozinha. Na mesa grande da sala estavam sobremesas e bolos multicores e sabores, incluindo o de aniversário. Os convidados riam alto e falavam de trivialidades - as mesmas do ano passado e do ano anterior. Bebe-se cerveja e caem nódoas na roupa domingueira. Alguém amua. A mãe ralha. Dizem-se segredos e tecem-se comentários menos próprios entre dentes. Também se fala do tempo.

Adormecida de olhos abertos, vou espreitando por cima do ombro dele. Bocejo e sorrio. Repito-me.

segunda-feira, novembro 10

Coelhos e caramelos


O Rui voltou de viagem com prendas. A mim calhou-me um pacote de caramelos Made in Netherlands e um Labbit. (Vai havendo cada vez menos espaço à volta o iMac.) Obrigada!

sábado, novembro 8

03:45h


{Na Velvet, passamos o testemunho ao boneco amarelo. Nos intervalos do sono ainda há boa disposição. Bom fim-de-semana.}

quinta-feira, novembro 6

Key Birthday

{Velvetianos às primeiras horas da manhã}

É hoje, a Key Account faz anos! Dotada de uma simpatia inesgotável e dos olhos castanho-mel mais bem cotados das redondezas, a Sónia é a mãe de todos os Velvetianos: relembra-os calmamente dos seus afazeres e tem sempre uma palavra de encorajamento na manga para quando as coisas correm menos bem. (Quando está tudo bem é tão ou mais maluca que nós!) Ultimamente parece que tem o rei na barriga, mas na realidade é a Mariana. Fica a foto para registar o dia, a festa a sério fica marcada para segunda-feira. Parabéns Sónia!


quarta-feira, novembro 5

Revolutionary Road

{We can't go on pretending this was the life we wanted}

Trago o filme debaixo d'olho e o livro (na versão original) aos tombos dentro da mala. Ando ganhar coragem e a fazer tempo para voltar à vida.

A mudança chegou à Améria

{Depois de Bush, Barack Obama: 44º Presidente dos EUA}

foto|photo: Reuters

terça-feira, novembro 4

Fronteiras

Tendo em conta a premissa "ninguém é perfeito", onde é que se define a fronteira de aceitação de defeitos? Em que ponto é que se diz chega? A partir de onde é que deixamos de perdoar falhas e imperfeições? Como é que se define o inaceitável? Quando é que deixamos de perdoar o imperdoável? Quando é que se desiste?

Depois de Bush

{Público on-line _ 4 Novembro 2008}

segunda-feira, novembro 3

Mecanizada

No escuro, as luzes dos carros desenham as curvas da estrada em ambos os sentidos. Com tantas viagens imprevistas, não sei bem onde estou. Ele encostou para lavar o vidro. A mim não há banho que me leve as coisas más. Nem sono que dê descanso. Nem lágrimas de luto. Nem colo que me acalme. Nem espaço para guardar relíquias. Não há tempo, nem vontade, nem querer. Estou mecanizada, e esse é o plano para sobreviver a mais um Inverno. Agora não posso cair.

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Pela janela via-se neve no topo da Estrela.

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{Radiohead _ Videotape _ In Rainbows}

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