sexta-feira, janeiro 30

Das visitas e dos {des}conhecidos

Como se vivêssemos num hostel, ficámos os quatro na mesma divisão onde comemos e onde se enxugava roupa junto ao aquecedor. Dois ao computador, outros dois a ver televisão; a gata a dormir num dos cadeirões. O vento a bater na janela. Adormeci e à meia-noite bebeu-se chá. Depois cada um seguiu para a sua cama.

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Estava de pé na mesa ao lado da minha - naquele café só há daquelas mesas onde se fica de pé - com uma tosse horrível. Conheço aquela tosse {conheço-a tão bem}, escoltada pelo cabelo cortado à escovinha, pelas mão trémulas e pelos sinais na cara - efeito dos remédios que fazem tanto mal quanto bem. {Conheço-te bem, tosse maldita.} Ele percebeu que eu conhecia a tosse, bebeu o café, dobrou o jornal e saiu. Na rua voltei a cruzar-me com ele, mas fingi-me indiferente à sua companhia, fingi que não a conhecia a ela.

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