sexta-feira, abril 24


Já não me apetece dormir virada para o mosteiro, nem apanhar sol.
Não quero viagens de carro apertadas e com solavancos.
Faltam-me os maus-humores e as danças.

As pessoas não mudam nem se substituem.
Escondem-se e trocam-se.
Mudam-se e desaparecem. Vão ser elas mesmas para outros lugares.

Apetece-me o que tenho certo.
Braços para me abraçar, orelhas para me ouvir.
Pés frios ao fundo da cama. Pequenos-almoços. Pêlo de gato.

As pessoas não mudam nem se substituem.
Estão à vista e guardam-se.
Chamam-se e aparecem. São elas mesmas em todo o lado.

Valem-me os amuletos e as gargalhadas, o que tenho certo.
As courgettes e os tortelonis.
Os almoços no campo e os jantares a dois.

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"- Eu avisei.
- E tinhas razão. (Tanta. O que me arrancaram não vai ser devolvido.)"

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