terça-feira, maio 26

A estúpida

"- Estúpida! Você é uma estúpida! Eu quero isso agora! AGORA! A-GO-RA!"

Os berros ouviam-se ao longe, mas não percebi o seu significado. Ao aproximar-me vi que era um menino de seis ou sete anos o autor dos disparates variados, que persistiam em sair-lhe da goela em português do Brasil por entre gritos e choro forçado. A vítima era uma mulher já no fim dos quarentas. Envergonhada, encolhia-se à passagem de transeuntes. Quando eu passei pela pobre mulher, apercebi-me que o problema era um brinquedo estragado - o problema dela, porque o do Alexandre - "Alexandre, Alexandre", chamava - era falta de educação crónica, rapidamente solucionável com a aplicação de uma palmada no momento certo.

{Serei eu a estúpida desta estória?}


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