segunda-feira, dezembro 28

Num ou noutro ramo da árvore de Natal ainda sobram pinhas de chocolate. Na sala há papéis das prendas que se embrulharam e das que se desembrulharam. Quase aos 30 anos continuo a receber pijamas aos bonecos e é a minha tia quem me abastece o stock de meias e cuecas. Houveram excessos, mas poucos, comparando com anos anteriores. A perdição foi uma caixa de bombons que acabou as festividades sem dono. Depois das viagens e das correrias tivemos um Domingo sossegado a ver TV e a brincar com as prendas. Hoje regressei ao trabalho com pouca vontade, por isso enchi-me de coisas novas.

{cachecol feito pela tia + fio + colete de malha + camisola meia manga}

{Onitsuka Tiger Seck Hi}

quarta-feira, dezembro 23

Véspera

Na véspera da véspera de Natal atrevi-me a sair à rua. As pessoas estão doidas nestes dias. Há gritos e discussões a altos decibéis, empuram-se pedintes e atropelam-se miúdos e graúdos. (Que Natal é este?) A mim só me faltavam as prendas pequenas, os miminhos a que a minha mãe nos habituou para além das prendas "principais" - meias aos bonecos, pantufas engraçadas, chocolates e carteirinhas para as moedas. Na loja de ligerie sou a única cliente-mulher. Homens de várias idades perdem-se em descrições do tamanho de maminhas e ancas das suas caras-metade. Pelo meio fui recebendo votos de Feliz Natal no telemóvel em formato de SMS e e-mail, todos ainda sem resposta. Comprei uma camisola e uma blusa super-retro para estrear dia 25 mas sinto-me vazia na mesma. Tenho as prendas quase todas por embrulhar. (Ainda ma falta comprar fita.)

Desejo a todos que passam por aqui um Feliz Natal.

sexta-feira, dezembro 18

Caranguejos

"Para onde vai a minha vida é coisa que eu quero lá saber. Ainda tenho o cheiro nos dedos duns caranguejos que comi quando era pequenino, a mil quilómetros do mar e daqui. É esse o curso que quero seguir, se for obrigado a escolher um. Ser como um cheiro que permanece, ligado a um momento que se esqueceu."


Miguel Esteves Cardoso, O Amor é Fodido

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Não me apetece devolver o livro à Biblioteca. Trago-o na mala todos dias e sonho com as mãos por onde já passou.

segunda-feira, dezembro 14

Das coisas

pensadas mas que não são ditas. Que se dizem sem pensar. Que se pensam sem fazer. Ando presa a este pensamento. Ando a (re)ler O Amor é Fodido com o título escondido das senhoras do café. Com medo do que possam pensar de mim. ("Não é medo, é receio.")


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Finjo ser quem era e estou mais descansada. A facilidade com que se deixam enganar e se fingem parvos ou ignorantes não deixa de me impressionar. É estonteante. Mas ninguém chega a mim e ando mais à solta. Sem suspeitas, nem suspeitos.
Preparo-me para ficar sozinha passando os dias que me restam sozinha. Fora da carrinha, de barriga vazia de tortellonnis. Séria. Pensado faz sentido, mas escrito parece a coisa mais parva de todos os tempos. Principalmente dos que estão para vir.

segunda-feira, dezembro 7

véspera de feriado

De calças largas e camisola de capuz não me distingo dos miúdos do liceu com quem me cruzo no passeio. Depois do almoço, ganhei coragem e não voltei a casa. Caminhei pela cidade de phones nos ouvidos e fingi que sou a criadora da banda sonora da minha vida. Comprei o Público - para parecer crescida - mas passo à frente as notícias que não me interessam. Já no café, da minha direita flutua um cheio a naftalina: três senhoras na casa dos setenta falam da horrível morte por linfoma de alguém conhecido. "O pior é a cadeira de rodas." Na rua há luzes de Natal apagadas.

Vou acabar de ler o jornal. A vida continua. Às 17h vou à estéticista. Mesmo no Inverno, tenho vergonha que me descubram pêlos por debaixo das calças.

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{22:03 _ adenda}

Ainda passeei pela Rua Direita e fui ao Terreiro conhecer a Biblioteca Municipal. Fiquei um bocadinho desiludida, mas tornei-me leitora porque ouvi o MEC a assobiar numa prateleira perto da janela. Resisti ao cheiro a castanhas assadas e senti-me viva com o vento a cortar-me a cara na caminhada de encontro ao Paulo.

{a ver o tempo passar _ a pose foi acidental}

quinta-feira, dezembro 3

365 = 1

Os dias iguais passam a correr. Já faz um ano que adivinhei o desfecho menos feliz de muitos destes dias. Há 365 dias que todas as horas parecem ser sempre a mesma, como num qualquer filme dos anos 80. Agarro-me ao ontem e fecho os olhos ao que se passa mesmo à minha frente. Nego-me a interpretações para me manter positiva - vou contra a minha natureza e continuo a saber que isto não vai acabar bem. Os minutos e milésimos de segundo vão-se arrastando na ilusão que serão diferentes e nada mais acontece, não há desenrolar só emaranhar. A mesquinhez tolda-me a capacidade de acreditar que sou eu quem pode fazer a diferença. Deixei-me enrolar.


Alguém que me diga onde me sentar e qual o botão que tenho que carregar, que eu sou nova nestas coisas de viver por vontade própria.

quarta-feira, dezembro 2

das causas perdidas

{Beck _ Lost Cause _ retirado daqui}

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There's too many people you used to know

They see you coming they see you go.

They know your secrets and you know theirs

This town is crazy, but nobody cares.


Baby I'm a lost

Baby I'm a lost

Baby I'm a lost cause.

I'm tired of fighting

I'm tired of fighting

Fighting for a lost cause