segunda-feira, dezembro 7

véspera de feriado

De calças largas e camisola de capuz não me distingo dos miúdos do liceu com quem me cruzo no passeio. Depois do almoço, ganhei coragem e não voltei a casa. Caminhei pela cidade de phones nos ouvidos e fingi que sou a criadora da banda sonora da minha vida. Comprei o Público - para parecer crescida - mas passo à frente as notícias que não me interessam. Já no café, da minha direita flutua um cheio a naftalina: três senhoras na casa dos setenta falam da horrível morte por linfoma de alguém conhecido. "O pior é a cadeira de rodas." Na rua há luzes de Natal apagadas.

Vou acabar de ler o jornal. A vida continua. Às 17h vou à estéticista. Mesmo no Inverno, tenho vergonha que me descubram pêlos por debaixo das calças.

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{22:03 _ adenda}

Ainda passeei pela Rua Direita e fui ao Terreiro conhecer a Biblioteca Municipal. Fiquei um bocadinho desiludida, mas tornei-me leitora porque ouvi o MEC a assobiar numa prateleira perto da janela. Resisti ao cheiro a castanhas assadas e senti-me viva com o vento a cortar-me a cara na caminhada de encontro ao Paulo.

{a ver o tempo passar _ a pose foi acidental}

6 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem. Um dia diferente com um bocadinho para "tirar as penas" lol.
Bj
Mimi

Lívia disse...

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é etéreo num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Ámen.


Natália Correia (1990). Ó Véspera do Prodígio IV. In Sonetos Românticos

:) Lívia

Lívia disse...

Sara, veja este vídeo.
Vai ver que vale a pena.
Lívia

http://brunogarschagen.com/2008/07/31/transatlantico-miguel-esteves-cardoso-um-homem-civilizado/

Anónimo disse...

... ...

Grita contigo
Ter medo nunca foi solução
Amedrontado
Qualquer dia até lavas o chão
Se ficas parado
Aparece o padre a dar sermão

E eu não estou pra isso!

Tremes por dentro
Fazes tudo o que ele quer
Não tens direitos
Só apenas deveres
Mas dás a graxa
É aquilo que te dá prazer

E eu não gosto disso!

Tens medo do chefe
... ... !!

Dias cinzentos
São de—mais
Não vou falar
Eu não vou sentir

É sempre a história
Do agra—dar
Não vou falar
Mas não vou fingir

Quando o tempo passa
Mais te afundas na desgraça
Eu vou querer tudo pra.....mim
Pra mim

Eu sou assim
Não engulo nada que tenha a dizer
Diferente de ti
Sinto a diferença na mente
É puro prazer

Remoer pra quê?
Tens que te fazer ouvir
E não digas porquê

Revolta outra vez..
Porque eu sou assim!

Tara Perdida

Sara disse...

Lívia, já tinha visto o vídeo, mas foi excelente revê-lo!
Obrigada. :)

Lívia disse...

"A única preparação para o amanhã é o uso correcto do hoje".
Garl E. Brand

Obrigada, Sara, pelas palavras amáveis! :)Lívia