sábado, janeiro 16

Três, a conta que Deus fez

Há roupa por toda a casa. Por lavar, nos cestos; por dobrar, nas cadeiras e estendida um pouco por toda a casa. A chuva bate-nos nas janelas e não nos atrevemos a pô-la na varanda. As janelas são milimetricamente abertas para a casa respirar e nos intervalos do Inverno para a gata ir à rua arejar e cheirar as flores desanrajadas nos vasos. A orquídea de interior está a morrer, a de exterior - sovada pela chuva e pelo vento - tem umas oito ou dez flores. Coisa curiosa e certa, o que é menos protegido torna-se mais forte mas inevitavelmente mais amargo.

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Sentes-te só mas nunca estás sozinha. Ouvi na televisão.
Na quinta-feira estive com a C. e gostei. Senti-me em casa. No fim da noite mandei-lhe almoço num tupperware da minha mãe por acreditar que no dia seguinte a comida lhe iria saber melhor e fazer o fim-de-semana chegar mais depressa.

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Não me abraçou nem beijou à chegada por causa dos herpes. Teimoso e torto. Tem barba, mistura-se mais na multidão e esconde-se e foge do que não quer dizer. Também anda à procura das pessoas a sério. Cansado dos clones telecomandados e repetitivos. Perdido no meio da gente.

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