quinta-feira, abril 22

Domingo de Páscoa na praia


{na praia da Areia Branca _ foto: Cilene Silva}


quarta-feira, abril 21

Senhora Sara

No médico sinto-me sempre miúda, como se corpo não fosse meu. Fico meio alheia e parece engano quando me tratam por Senhora. Sara nunca me soou a nome de gente crescida. Esqueço-me sempre de ter o cartão do seguro à mão, porque era a minha mãe que tratava da papelada. Não sei o meu grupo sanguíneo. As administrativas interpretam isso tudo como irresponsabilidade e esboçam sorrisos amarelos. Quem tem a senha seguinte sopra de impaciência. 

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No oculista dei por mim encostada ao balcão, aborrecida, com uma mão a apoiar o queixo enquanto a funcionária me falava de descontos e prazos de entrega de lentes. Qualquer coisa sobre o vulcão e aeroportos fechados. Se tudo correr bem, sexta-feira tenho óculos novos. Não os que eu queria. Esses ficavam-me todos mal e faziam com que me parecesse com uma bibliotecária presa nos anos 80, da forma má, nada estilosa. 

quarta-feira, abril 14

Da falta de ânimo

Estou viva. O meu coração bate a um ritmo regular. Rio mais do que o suficiente e em boa companhia. Na segunda-feira bebi um panaché à hora do almoço na esplanada com vista para o mosteiro. Tento não diletar mais do que duas ou três horas por dia. Digo parvoíces intermináveis. Sou beijada e abraçada com frequência. Como tortelonis uma vez por semana e vou ao Salvador uma vez por mês. Vesti roupa com nódoas. Tenho feito pausas para sentir o cheiro do campo. Falo com o Costa acerca da carrinha. O mundo continua a girar, parece é demorar-se mais nas partes menos boas. 

terça-feira, abril 13

Depois do creme de ervilhas adormecemos no sofá. Fui acordada por um braço dormente e pelo medo das horas. Os compromissos que assumi after hours complicam-me os dias (ou melhor, as noites) mas trazem-me - trazem-nos - o dinheiro extra que nos permite pequenas extravagâncias. De repente tornou-se mais simples definir prioridades, pois aquilo de que não me lembro é certo que não interessa. Sinto-me frequentemente cansada ao ponto de não pensar, o que é bastante relaxante. Só a saudade me pesa. Trago um cordel atado com nó cego à volta do coração.

quarta-feira, abril 7

Cada passo é um pé num buraco. Cada mudança de direcção leva-me para trás. Não mudo de rumo. Faço o mesmo caminho de maneiras diferentes - sempre erradas. Recuso abandonar o circuito. Os outros peões depressa passarão a obstáculos e conto deixar de saber do que gosto para descobrir quem vou ser. Cada vez mais silenciosa, até deixar de ouvir e passar eu mesma a ser um obstáculo a ser transposto.


quinta-feira, abril 1

Boy Lilikoi


{Jónsi _ Go}


We all grow old, use your life, the world goes and flutters by
Use your life, you'll know you are
Use your life, the world goes and flutters by
Use your life, you'll know you are