terça-feira, abril 13

Depois do creme de ervilhas adormecemos no sofá. Fui acordada por um braço dormente e pelo medo das horas. Os compromissos que assumi after hours complicam-me os dias (ou melhor, as noites) mas trazem-me - trazem-nos - o dinheiro extra que nos permite pequenas extravagâncias. De repente tornou-se mais simples definir prioridades, pois aquilo de que não me lembro é certo que não interessa. Sinto-me frequentemente cansada ao ponto de não pensar, o que é bastante relaxante. Só a saudade me pesa. Trago um cordel atado com nó cego à volta do coração.

1 comentário:

Lívia disse...

Desenho

Traça a recta e a curva,
a quebrada e a sinuosa.
Tudo é preciso.
De tudo viverás.

Cuida com exactidão da perpendicular
e das paralelas perfeitas
Com apurado rigor.
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,
traçarás perspectivas, projectarás estruturas.
Número, ritmo, distância, dimensão.
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.

Construirás os labirintos impermanentes
que sucessivamente habitarás.

Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida.
E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.

Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.
Raramente, um pouco mais.

(Cecília Meireles)

:)Lívia