quarta-feira, abril 21

Senhora Sara

No médico sinto-me sempre miúda, como se corpo não fosse meu. Fico meio alheia e parece engano quando me tratam por Senhora. Sara nunca me soou a nome de gente crescida. Esqueço-me sempre de ter o cartão do seguro à mão, porque era a minha mãe que tratava da papelada. Não sei o meu grupo sanguíneo. As administrativas interpretam isso tudo como irresponsabilidade e esboçam sorrisos amarelos. Quem tem a senha seguinte sopra de impaciência. 

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No oculista dei por mim encostada ao balcão, aborrecida, com uma mão a apoiar o queixo enquanto a funcionária me falava de descontos e prazos de entrega de lentes. Qualquer coisa sobre o vulcão e aeroportos fechados. Se tudo correr bem, sexta-feira tenho óculos novos. Não os que eu queria. Esses ficavam-me todos mal e faziam com que me parecesse com uma bibliotecária presa nos anos 80, da forma má, nada estilosa. 

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