sexta-feira, maio 28

Colibri

Por muito detalhada que seja uma descrição, esta nunca se equipara ao testemunho presencial. Provas? Experimenta descrever o voo de um colibri.

quinta-feira, maio 27

Já não venho aqui há tanto tempo que este endereço já nem está na memória do browser

{Puppets #3 Wood  _ by Just.Luc}

Guardo-me para mim. Todos me interpretam e lêem como mais lhes convém. É mais fácil, principalmente para mim. I don't give a fuck (a tradução literal disto faz-me rir). Ando ocupada a fingir e a lembrar o corpo, a cara, os olhos e as sobrancelhas do que é correcto, a verdade legítima. A boca já está totalmente fora do meu controlo e dispara mentiras, verdades, meias-mentiras e verdades absurdas com uma naturalidade que não está escrita em nenhum livro. Ninguém está a salvo. Estou perigosamente perto de me perder e acho piada aos fantoches. Às mãos gigantes de uma espécie de ventrículo que lhes substituem pulmões e fígados e intestinos e fazem braços e pernas e olhos e tudo piscar e mexer e acreditar que vão viver para sempre. Eu também quero. E quero deixar de sonhar, porque acordo cansada e um bocadinho triste. (Será que fazem cocó, os fantoches? Eu faço. É assim que sei que estou viva. No Lost ninguém fazia cocó.) 
A vida é como as palavras-cruzadas - todas presas contra sua vontade (algumas mal escritas) dentro do mesmo quadradinho. Espero que no meu quadradinho esteja a palavra amor ou qualquer um dos seus sinónimos. 

terça-feira, maio 18

Em 24h

encomendei e chegou o novo álbum dos The National. 
A felicidade é feita de coisas que cabem em envelopes.

terça-feira, maio 11

Cinza

Leio no jornal que a cinza do vulcão islandês continua a tirar visibilidade aos aviões. Estranho não a ver. Lembro-me do Verão quente de 2003 em que o fogo engoliu centenas de hectares de floresta na Beira. Lembro-me do céu vermelho e da cinza nos pulmões e na roupa. Lembro-me do que vi e de mal conseguir abrir os olhos. Escondi-me em casa até o bicho-mau passar. Não me sei esconder do que não se mostra. Não adivinho monstros e para me precaver vou-me escondendo de todos. Aos poucos terei medo de tudo. E serei tão pessimista e desconfiada como outra pessoa qualquer - o orgulho da Humanidade. Sem alarmes, sem surpresas, como na canção.

terça-feira, maio 4

Todo o dia

a contar o tempo. Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac. Até adormecer.


It's a terrible love and I'm walking with spiders


High Violet dos The National sai dia 11 e está disponível para escuta aqui.