terça-feira, maio 11

Cinza

Leio no jornal que a cinza do vulcão islandês continua a tirar visibilidade aos aviões. Estranho não a ver. Lembro-me do Verão quente de 2003 em que o fogo engoliu centenas de hectares de floresta na Beira. Lembro-me do céu vermelho e da cinza nos pulmões e na roupa. Lembro-me do que vi e de mal conseguir abrir os olhos. Escondi-me em casa até o bicho-mau passar. Não me sei esconder do que não se mostra. Não adivinho monstros e para me precaver vou-me escondendo de todos. Aos poucos terei medo de tudo. E serei tão pessimista e desconfiada como outra pessoa qualquer - o orgulho da Humanidade. Sem alarmes, sem surpresas, como na canção.

1 comentário:

Lívia disse...

Confiança

O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura…
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova…

Miguel Torga

:-)Lívia