sexta-feira, junho 25

Do you feel lucky today?

 
Well, do ya, punk?


quarta-feira, junho 23

É isto

You cannot fathom the immensity of the fuck I do not give.

Lido no blog da Senhorita Valdez. 

Muito, muito obrigada. Comecei o dia a saber quem sou. :D

terça-feira, junho 22

Bloqueio

É como se me tivessem posto aqueles cadeados gigantes para as rodas dos carros, mas na cabeça. Circulo numa espécie de andamento aos solavancos, provocado por uma roda quadrada. Apática, não sei bem o que ando a fazer. Não há quem me trace um rumo ou me ceda uma bússola por isso os dias vão correndo, devagar, devagarinho, ao sabor das marés.

quinta-feira, junho 10

Fisterra

{Fisterra_Finisterra}

A chegada a Finisterra não foi como tinha sonhado. Fiquei doente na véspera da partida o que nos impediu (por recomendação do médico) de fazer o caminho a pé desde Santiago de Compostela, como planeado. Dois dias de preparativos pelo cano abaixo! A melancolia de não ser uma verdadeira peregrina acompanhou-me toda a viagem e acabou por ser confirmada por dois dias de chuva e vento fortes que nos fizeram regressar a Portugal mais cedo do que o previsto. O Yaris foi as nossas pernas nesta aventura - quase rally - na Galiza. Proibi-me de comprar conchas ou recuerdos ligados ao peregrino e tentei esquecer a importância de fazer o caminho num ano Xacobeo, que está para os católicos como as amnistias estão para os criminosos.
A quantidade de gente de todas as idades e nacionalidades que se junta na cidade é impressionante e faz lamentar o modo como as coisas acontecem por cá, nomeadamente em Fátima. O Ano Santo em Santiago não é só feito de missas e procissões, há exposições, concertos, feiras e festas para todos. Na capela da Universidade tivemos a oportunidade de visitar uma exposição de arte contemporânea chinesa que era tudo menos sacra. Cuecas gigantes penduradas nas paredes com neóns passavam mensagens anti-globalização. Estava também a acontecer uma enorme Feira Medieval que primava sobretudo pela comida. Há noite, com os peregrinos já longe da Catedral, havia um casal na rua a tocar e cantar música Pop que muito nos agradou e fez com que nos sentássemos na escadaria, quase como se fossemos galegos.

 {escadaria lateral da Catedral _ som de fundo: Radiohead com sotaque galego}

 {os campistas}

Depois de uma noite passada na tenda (a primeira foi num hotel, chegámos tarde e não encontrámos o parque), subimos rumo a Finisterra sempre junto à costa. A estadia no camping aguçou-me ainda mais o apetite de compra de uma Volkswagen Califórnia, muito popular entre nuestros hermanos (e frequentemente criticada pelo João Abel). O tempo foi piorando ao ritmo da subida e quando parámos para almoçar na Serra de Outes já chovia.

 {Piquenique com vista sobre a baía de Neria}

A caminho de Finisterra ecoava na minha cabeça a ideia de andar até não haver mais chão. Afinal há parque de estacionamento e tudo (e cheira a xi-xi). Chegavam muitos peregrinos - a pé, de bicicleta e de mota - com um ar cansado e aliviado de missão cumprida. Em todos os cantos se viam botas, camisolas e mochilas - umas queimadas, outras não - simbolicamente ali deixadas a marcar o fim da jornada. Fitámos todo aquele mar e preparámo-nos para descer. A chuva já não deixava ver o caminho. Parámos em Porto do Son onde jantámos polvo e uma bela tortilha. Através do nosso estalajadeiro, soubemos que havia por ali muitas maravilhas naturais e monumentais a visitar, guardámo-las para a manhã seguinte na esperança de bom tempo. O homem ainda nos tentou animar dizendo quen non coñece a galicia con choiva non a coñece verdadeiramente. De manhã a chuva não abrandou e decidimos rumar a casa. Pagámos e partimos com votos de bo regreso.

{arte nas ruas de Pontevedra}

A pausa para almoçar foi em Pontevedra, que entre torres dez andares esconde um centro histórico fantástico. No lounge Quiosco uns tomavam o desayuno e outros petiscavam tapas. Sentimos sempre que comíamos fora do ritmo e nunca soubemos bem o que pedir. A hora já era de siesta e na rua viam-se avós a empurrar carrinhos de bebé e grupos de adolescentes a rumar a casa vestidos com a farda axadrezada da escola. As lojas estavam fechadas, mas isso não nos impediu de colar os olhos às montras das sapatarias com o logo Camper. Continuámos a descer, o cansaço tinha-me transformado num co-piloto que não falava nem português nem galego mas uma mistura dos dois: à la izquierda, dizia. Atravessámos Vigo rumo A Guarda onde passámos para Portugal de ferry boat por pouco mais de três euros.


{passageiros no ferry}

A viagem é curta e de uma margem vê-se logo a outra. Portugal e Espanha parecem um só. Em Caminha confirmámos que o céu cinzento estava para ficar. O meu telemóvel - que em Espanha optou por não funcionar, qual Movistar qual quê! - recebeu de uma assentada todas as mensagens e e-mails dos últimos dias e tive entretém para a primeira hora de caminho. Parámos apenas para petiscar e comprar um jornal e ao fim da tarde já estávamos em casa. (O carro mete nojo, serviu de mesa, estendal e cama de sesta, mas portou-se como um campeão!)